REUTERS / Alessandro BianchI
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Papa manda enterrar mendigo no Vaticano: 'Vamos dar-lhe uma sepultura digna'

De origem flamenga e amigo de clérigos e funcionários da Santa Sé, Willy se tornou o primeiro sem-teto sepultado no Cemitério Teutônico, reservado para a aristocracia e benfeitores da Igreja

Agências internacionais

26 Fevereiro 2015 | 19h17

Willy Herteleer, um dos mais conhecidos sem-teto do Vaticano, é o primeiro mendigo na história a ser enterrado no Cemitério Teutônico, ao lado príncipes, nobres e cavaleiros de origem germânica e de benfeitores da Igreja. A decisão, revelada quarta-feira, 25, pelo jornal Il Messaggero,  foi tomada pelo papa Francisco, que já havia mandado instalar duchas para os sem-teto e criado uma barbearia para cuidar desses habitantes que circulam pelas colunatas de Bernini, na Praça de São Pedro.

Com cerca de 80 anos, Willy era de origem holandesa e vivia fazia 30 anos em Roma - depois de perder o emprego. Religioso, o mendigo frequentava toda manhã a missa das 7 horas na Capela de Sant'Anna. Dormia com os colegas sem-teto no túnel do estacionamento e tentava convertê-los. Era conhecido da Guarda Suíça, que o chamava de "Aralto de Sant'Anna" e amigo de clérigos, como o monsenhor Amerigo Ciani, jurista e pintor, que retratou o mendigo em dois quadros - rezavam juntos. Willy costumava convidar os jovens a ir à missa e a rezar.


Em dezembro, o mendigo sumiu do Vaticano. O frio em Roma o fez adoecer. Pedestres viram sua agonia e chamaram uma ambulância, que o levou ao Hospital Santo Spirito. Com o sumiço do amigo, Ciani passou a procurá-lo até descobrir, no começo de janeiro, que ele havia morrido no dia 12 de dezembro. Willy estava no necrotério do hospital. Ninguém sabia onde enterrá-lo. "Santidade, não sabem onde enterrá-lo", disse o monsenhor ao papa. "Vamos dar-lhe uma sepultura digna no Vaticano", respondeu Francisco, segundo Il Messagero.

E assim, no dia 9 de janeiro, houve a cerimônia no cemitério presidida pelo monsenhor Ciani. A informação foi confirmada pela Sala de Imprensa do Vaticano e pelo pároco da Igreja de Sant'Anna, Bruno Silvestrini. "Nunca vi tanta gente bater à minha porta para saber quando seriam os funerais... Não pedia nunca, mas era uma pessoa que te falava e te suscitava, por meio de perguntas sobre a fé, um caminho espiritual", disse o padre Silvestrini à Radio Vaticano. 

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