AFP / FRANCISCO LEONG
AFP / FRANCISCO LEONG

Papa pede a fiéis que 'espalhem a paz' em Portugal

Francisco está em Fátima para a canonização de duas das três crianças pastoras que afirmaram ter testemunhado seis aparições da Virgem Maria há 100 anos

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2017 | 18h51

SÃO PAULO - O Papa Francisco pediu aos católicos nesta sexta-feira, 12, para "derrubarem todos os muros" e espalharem a paz ao chegar em Portugal, para uma peregrinação à Fátima, para marcar o aniversário de 100 anos de um dos eventos mais importantes da Igreja Católica no século 20: as aparições da Virgem Maria contadas por três crianças pastoras e os segredos que ela lhes revelou.

Uma mensagem sobre a devoção a Nossa Senhora, seguida pela bênção das velas e recitação do Terço na praça do Santuário de Fátima, emocionou até as lágrimas milhares de peregrinos que receberam o pontífice. A cerimônia reuniu cerca de 400 mil pessoas que passaram a tarde em vigília.

Milhares de fieis alinharam a rota de carro do papa e jogaram pétalas de flores, evidência de que o primeiro papa da América Latina tem um grande número de seguidores nesse país que é, em grande parte, católico. "Viva o Papa!", disseram quando Francisco se dirigiu à principal praça de Fátima, que foi atingida por fortes chuvas mais cedo, mas que no momento da visita era iluminada por um sol quente.

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"É uma grande emoção por ser a primeira vez que ele vem aqui, e nós estamos sempre esperando que algo pode melhorar", disse o carpinteiro Laurindo Pereira, de 55 anos. 

Francisco deve ficar menos de 24 horas em Fátima para celebrar o centenário da aparição e canonizar duas das três crianças. Ele espera que a mensagem de paz que foi dada por elas há 100 anos, quando a Europa estava no meio da 1ª Guerra Mundial, deve repercutir na fé católica dos dias atuais. 

Durante vigília na capela construida no local das aparições, Francisco curvou a cabeça em oração silenciosa diante da estátua da Virgem e deixou uma rosa de folha de ouro em sua base, seguindo a tradição de papas nos santuários. Em uma oeração, ele disse aos fieis para seguir os passos das crianças para espalhar as palavras de paz mesmo em tempos de guerra. "Vamos derrubar todos os muros e cruzar todas as fronteiras, vamos todas às periferias, para tornar conhecida a justiça divina e a paz", disse.

Português. "Quem quiser ser cristão, tem de ser mariano", disse o papa, aconselhando os católicos a observar a relação que existe entre Maria e seu filho, pois é ela quem abre o caminho que leva a Jesus Cristo. Misericórdia, paz e justiça foram as palavras marcantes de Francisco, que falou em português com sotaque brasileiro ligeiramente marcado pelo espanhol, sua língua natal. A multidão ouviu em silêncio, mas aplaudiu com entusiasmo quando o papa encerrou a saudação.

Foi o segundo encontro do papa com os peregrinos. Ao chegar a Fátima, desembarcando de um helicóptero no estádio municipal, que agora passa a se chamar Estádio Papa Francisco, o chefe da Igreja Católica entrou na praça do Santuário num papamóvel aberto e dirigiu-se à Capelinha das Aparições. Rezou ali alguns minutos diante da imagem original de Nossa Senhora de Fátima, abraçou algumas crianças, alunas de 10 escolas de Fátima que foram recepcioná-lo e seguiu para a casa das irmãs carmelitas onde está hospedado.

A viagem de Francisco é uma visita ao Santuário, não é uma visita de Estado. Apesar disso, foi recebido na Base Aérea de Monte Real pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e por outras autoridades. Conversou reservadamente com o presidente por 10 minutos na base aérea. Ao entrar no espaço aéreo português, o avião da Alitália que trouxe comitiva papal foi escoltado por dois caças F-16. Seis helicópteros transportaram o papa e sua comitiva da base aérea para Fátima, numa distância de 40 quilômetros.

"Esta viagem é algo especial, uma viagem de oração de encontro com o Senhor e a Santa Mãe de Deus", declarou Francisco à repórter da Radio e Televisão Portuguesa, no vôo de Roma para Portugal. Esse foi o tom dos primeiros compromissos em Fátima. O auge da visita pastoral, que vai durar pouco menos de 24 horas, será a canonização de Francisco e Jacinta.

Francisco é o quarto papa a visitar Fátima, onde Paulo VI esteve em 1967, João Paulo II em 1982, 1991 e 2000, e Bento XVI em 2010. João Paulo II atribuiu o "milagre" de ter sobrevivido a um atentado na Praça de São Pedro, no Vaticano, em 13 de maio de 1981, à proteçãso de Nossa Senhora de Fátima. A bala do atentado esté encrustada na coroa da imagem da santa.

A proteção do papa está confiada a 6 mil agentes e militares em Fátima (freguesia de 13 mil habitantes no município de Ourém), mas ele não parece preocupado com a segurança. Locomove-se sempre entre agentes à paisana do Vaticano e de homens da Guarda Nacional Republicana, num esquema rígido que já quebrou três vezes: dispensou um papamóvel fechado e blindado, e caminhou mais de 200 metros a pé na ala central da praça do Santuário, ao chegar para a bênção e procissão das velas. Ao se retirar, sentou-se no banco da frente, ao lado do motorista. (com informações da AP)

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