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Papa pede que divorciados não sejam tratados como excomungados

Atual instrução da Igreja orienta que católicos divorciados não estão aptos a comungar, a não ser que se abstenham de relações sexuais

Camila Santos, especial para O Estado de S. Paulo

05 Agosto 2015 | 11h04

Atualizado às 21h18

A dois meses do Sínodo da Família, o Papa Francisco pediu aos sacerdotes que sejam mais misericordiosos com as pessoas que se divorciaram e voltaram a se casar fora da Igreja. O pronunciamento foi feito durante a tradicional audiência geral, realizada nesta quarta-feira, 5, no Vaticano. O pontífice afirmou que esses indivíduos não devem ser trados como excomungados. 

A maneira como a Igreja, composta por 1,2 bilhão de membros, deve lidar com os católicos que romperam matrimônios tende a ser um dos pontos principais de discussão no Sínodo da Família, que reunirá bispos do mundo inteiro em outubro. 

A atual instrução da Igreja orienta que os católicos divorciados não estão aptos a comungar, a não ser que se abstenham de relações sexuais, já que o primeiro casamento permanece válido aos olhos do catolicismo. 

Bispos progressistas têm feito pressão por mudanças e Francisco tem demonstrado que também é favorável à adoção de uma postura diferenciada. Para ele, o Sínodo permitirá que os participantes apresentem propostas sobre o assunto. 

Em sua audiência geral, o papa disse que a Igreja precisa desenvolver maneiras de oferecer urgentemente "verdadeiras boas-vindas" aos católicos que encontraram a felicidade em um segundo matrimônio, após terem que passar pelo fracasso no relacionamento anterior. "Essas pessoas não foram, de modo algum, excomungadas. E elas não deveriam ser tratadas como se tivessem sido, pois serão sempre parte da Igreja", acrescentou Francisco. 

O pontífice explicou ainda que é extremamente importante que os padres mantenham uma postura acolhedora com as crianças que são fruto de situações deste tipo. "Eles (as crianças) são os que mais sofrem nesses casos. Como podemos insistir que os pais façam tudo para criar seus filhos na vida cristã, se nós os mantivermos distantes da vida da comunidade como se tivessem sido excomungados?", questionou o papa.

Ele pontuou que os filhos dos indivíduos que se casaram fora da Igreja não devem ser obrigados a suportar o "peso adicional" de serem tratados como párias em suas paróquias locais por causa do insucesso do primeiro casamento dos pais.

Equívoco. Segundo o teólogo Fernando Altemeyer Júnior, doutor em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a tolerância defendida pelo papa Francisco é completamente plausível, por se tratar de algo que já está estabelecido nas ensinamentos católicos.

A analista previdenciária Cristina Pacheco, de 50 anos, teve o divórcio oficializado em 1991, após três anos de união. Cristina foi em busca da declaração de nulidade do casamento religioso por incentivo do sacerdote de sua paróquia. A analista contou que frequentava a comunidade católica, mas se sentia muito desconfortável por não participar da comunhão.

Com a oficialização da nulidade em 2010, Cristina pôde se casar com o atual companheiro, o securitário Paulo Colognese, de 57 anos. O casal subiu ao altar em 2011, contudo, já morava na mesma residência havia 17 anos. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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