EFE/EPA/ALESSANDRA TARANTINO / POOL
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Papa poderá destituir bispos que negligenciarem casos de pedofilia

Direito canônico já prevê destituição por 'causas graves'; Francisco agora especificou que pedofilia é considerado uma dessas causas

O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2016 | 13h09

CIDADE DO VATICANO - Os bispos que negligenciarem casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes poderão ser destituídos, segundo decreto divulgado neste sábado, 3, pelo papa Francisco e incorporado ao direito canônico. 

O direito canônico já previa a destituição por "causas graves", explicou o papa. "Com a presente, quero precisar que, entre as chamadas causas graves, se inclui (desde agora) a negligência dos bispos no exercício de suas funções, em particular no que se refere aos casos de abusos sexuais contra menores e adultos vulneráveis", escreveu o pontífice.

De acordo com o portal voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, o decreto é uma atualização de uma disposição do direito canônico já existente. A medida não tem efeito retroativo.

Francisco também anunciou a criação de um colégio de juristas, provavelmente formado por cardeais e bispos, que auxiliará o papa antes de tomar uma decisão definitiva. Os bispos acusados poderão se defender das acusações de negligência diante dos ministérios competentes. Tomada a decisão, se o bispo de negar a apresentar sua denúncia em um prazo de 15 dias, o papa poderá destitui-lo à força.

Atualmente, a Igreja enfrenta denúncias de pedofilia na diocese francesa de Lyon, que respingam na imagem do cardeal francês Philippe Barbarin. Pesam contra cardeais franceses investigações preliminares por não terem denunciado agressões sexuais cometidas contra menores entre 1986 e 1991.

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