ALBERTO PIZZOLI
ALBERTO PIZZOLI

Papa recomenda perdão a mulheres que abortam e se arrependem

Francisco classificou problema como "drama existencial e moral"; pedido faz parte de medidas para o ano do Jubileu

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 09h35

Atualizado às 21h24

GENEBRA – O papa Francisco autorizou o perdão para mulheres que abortaram e médicos que tenham realizado as intervenções. “Decidi conceder a todos os padres, para o ano do Jubileu da Misericórdia, a faculdade de absolver do pecado do aborto aqueles que o praticaram e, arrependidos de coração, peçam perdão”, declarou nesta terça-feira, 1. 

O Jubileu será celebrado pelas dioceses de todo o mundo entre os dias 8 de dezembro deste ano e 20 de novembro de 2016. Em uma carta apontando estratégias para esse período, Francisco declarou que sabe que, “enquanto a tragédia do aborto é vivida por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que comporta um ato como esse”, muitos outros a vivem “como uma derrota” e consideram que “não têm outro caminho para onde ir”. 

A decisão do papa não modifica o que a Igreja pensa do aborto, condenado com a excomunhão automática pelas leis canônicas desde 1398. Normalmente, só bispos podem perdoar esses casos. Desta vez, além dos padres designados pelos bispos, o papa resolveu estender a todos os sacerdotes.

“Decidi conceder a todos os sacerdotes para o Ano Jubilar a faculdade de absolver do pecado de aborto quantos o cometeram e, arrependidos de coração, pedirem que lhes seja perdoado”, anunciou o papa. Para Francisco Borba, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a diferença desse para outros Jubileus “é a mensagem específica do papa para essas mulheres”.

“O perdão de Deus não se pode negar a todos os que tenham se arrependido”, disse o pontífice em documento enviado ao monsenhor Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização. O papa indicou que sabe que muitas mulheres são pressionadas a fazer abortos e, em sua vida, encontrou “tantas que levam nos corações as cicatrizes dessa decisão sofrida e dolorosa”. “É um drama existencial e moral.”

Normalmente, os Jubileus católicos são periódicos, estabelecidos a cada 25 anos, como o do ano 2000. Seguem ainda uma longa tradição, vinda do judaísmo, que celebrava uma pausa festiva e com perdão de dívidas a cada 50 anos. Para obter a indulgência, os fiéis são chamados a realizar uma breve peregrinação rumo a uma “porta santa”, aberta em cada catedral ou nas igrejas designadas pelo bispo diocesano, e seguir um rito.

Doentes e presos. Neste ano, o papa destacou que essa indulgência pode ser obtida até pelos doentes, que com suas intenções assistem a celebração pelos meios de comunicação. Outra decisão de Francisco foi a de anunciar que não serão só basílicas que darão a indulgência. Ele ampliou esse direito a todas as igrejas dentro de prisões. 

“Os presos poderão obter a indulgência todas as vezes que passarem pela porta da sua cela, dirigindo o pensamento e a oração ao Pai”, disse Francisco. Para ele, o ano deve ser marcado por uma “grande anistia”. “A misericórdia de Deus é capaz de transformar corações e transformar barras de ferro das celas em experiências de liberdade.”

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