REUTERS/Darrin Zammit Lupi
REUTERS/Darrin Zammit Lupi

Papa reforça combate à pedofilia com nova nomeação para posto-chave

O arcebispo de Malta, Charles Scicluna, considerado especialista no combate a casos de abusos, terá novo papel no pontificado de Francisco

O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2018 | 00h17

CIDADE DO VATICANO - O papa Francisco nomeou o arcebispo de Malta, monsenhor Charles Scicluna, especialista no combate à pedofilia, para o influente cargo de secretário-adjunto da Congregação para a Doutrina da Fé, segundo informou nesta terça-feira, 13, o Vaticano

O religioso é reconhecido por ter investigado os mais graves escândalos de pedofilia que atingiram a Igreja, entre eles o do chileno Fernando Karadima e do mexicano Marcial Maciel, ambos condenados por ligação com abusos sexuais cometidos contra menores ao longo de uma larga trajetória religiosa.

Scicluna assume o cargo em um momento-chave para o pontificado, que está no olho da tormenta após a enxurrada de denúncias em todo o mundo sobre os abusos sexuais cometidos por religiosos e acobertados durante décadas.

O arcebispo, de 59 anos e nascido no Canadá, terá a tarefa de organizar e coordenar a cúpula de presidentes das conferências episcopais de todo o mundo, que será celebrada no Vaticano de 21 a 24 de fevereiro para abordar medidas concretas para a proteção de menores. 

Conhecido por suas posições a favor das vítimas, Scicluna esteve à frente, em 2005, da investigação contra o já falecido fundador dos Legionários de Cristo, o mexicano Maciel, protagonista de um dos maiores escândalos de pedofilia na história recente da Igreja, famoso por seu vício em drogas e a sua vida dupla com vários filhos. 

O religioso também foi enviado no começo deste ano pelo papa ao Chile para escutar as testemunhas que desejavam falar sobre o caso do bispo chileno Juan Barros, inicialmente defendido pelo papa e protegido de Karadima, o que gerou uma série de críticas e protestos contra o pontífice argentino.

Scicluna terminou por ter um papel-chave para desmascarar a rede de abusos e acobertamentos montada pelo sacerdote Karadima, que por décadas foi um dos sacerdotes mais influente do Chile e da Igreja e terminou expulso aos 88 anos.

A sua promoção dentro da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão encarregado de investigar as denúncias que chegam de todo o mundo, abre uma porta para reforma de uma entidade submersa em denúncias. /AFP

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