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Papa suspende bispo que gastou 31 milhões de euros em residência oficial

Apenas o banheiro teria custado 15 mil euros; Francisco já deixou claro que quer 'Igreja pobre para os pobres'

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2013 | 11h56

GENEBRA - O Vaticano suspendeu um bispo alemão por seus gastos considerados excessivos e mandou uma mensagem a todo o clero: não vai tolerar ostentação. Nesta quarta-feira, 23, o papa Francisco anunciou que o bispo de Limburg, na Alemanha, Franz-Peter Tebartz-van Elst, deveria ser mantido fora de atividade, depois que gastou 31 milhões de euros (quase R$ 93 milhões) para renovar sua residência oficial.

O papa, desde o primeiro dia de seu mandato, havia deixado claro que queria uma "Igreja pobre para os pobres" e que a função dos religiosos era servir. Elst acabou se transformando num primeiro teste para o argentino, que há três dias havia solicitado uma reunião com o alemão e hoje o afastou.

Em nota, o Vaticano apenas indicou que seria "apropriado um período de ausência da diocese". "Uma situação foi criada na qual o bispo não pode mais exercer suas funções episcopais", diz o texto.

Em um país onde parte dos impostos dos cidadãos vai para a Igreja, o bispo acabou ganhando notoriedade por seus gastos. Fiéis e ONGs pediram sua demissão depois das revelações de que apenas o banheiro de sua casa teria custado 15 mil euros. Uma mesa para reuniões foi avaliada em 25 mil euros. Uma capela privada também foi erguida, no valor de 2,9 milhões de euros.

A extravagância ia além. Numa missão para visitar pobres na Índia, o bispo viajou em primeira classe. Mas foi o fato de ele ter mentido sobre os gastos que convenceu o papa a afastá-lo. Originalmente, a residência deveria ter custado 5,5 milhões de euros. Mas o valor final foi seis vezes maior.

Até o governo da chanceler Angela Merkel saudou a decisão, indicando sua "esperança de que isso seja uma resposta aos fiéis, para a confiança das pessoas na Igreja".

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