Papéis contradizem versão de governador de MS

André Puccinelli (PMDB) diz que dinheiro citado em vídeo como propina era sobra de gastos do Legislativo, o que é desmentido pelo Tribunal de Contas

João Naves de Oliveira ESPECIAL PARA O ESTADO CAMPO GRANDE, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

Relatórios do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul que vieram a público ontem contradizem a versão do governador André Puccinelli (PMDB) sobre a origem de um repasse de valores que, de acordo com um vídeo divulgado esta semana, faria parte de uma esquema de mensalão no Estado.

A denúncia contra Puccinelli faz parte de um lote de quatro vídeos postados na internet na terça-feira que envolvem ainda deputados estaduais, promotores do Ministério Público Estadual e integrantes do Poder Judiciário num suposto esquema de corrupção. Os vídeos mostram conversas do ex-secretário de governo da Prefeitura de Dourados Leandro Passaia, autor das gravações, com o primeiro secretário da Assembleia Legislativa, deputado Ary Rigo (PSDB), que relata detalhes da distribuição de propinas para os três poderes do Estado a partir de 2009.

O dinheiro vinha de Dourados, cidade mergulhada num escândalo de corrupção conhecido como "farra das propinas", e era fruto de um desvio de verbas federais para o município. Os cerca de R$ 2 milhões mensais que eram repassados a autoridades estaduais tinham como objetivo evitar investigações.

Em entrevista para um canal de TV de Campo Grande, o governador Puccinelli afirmou ontem que recebia R$ 2 milhões como devolução constitucional das sobras do duodécimo da Assembleia - o duodécimo é um recurso do Orçamento do Estado destinado a despesas do Legislativo.

Relatórios do Tribunal de Contas de 2009, no entanto, mostram que os gastos da Assembleia excederam em 5% o que previa a Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) - ou seja, não poderia ter havido redução do duodécimo.

Denúncia. A Justiça de Mato Grosso do Sul acatou ontem a denúncia do Ministério Público Estadual contra 60 pessoas acusadas de envolvimento no escândalo de corrupção em Dourados. Entre os réus estão o prefeito, o vice-prefeito, 11 vereadores e 5 secretários municipais. De acordo com a denúncia, o prefeito de Dourados, Ary Artuzi, embolsava por mês R$ 170 mil e os vereadores e secretários da prefeitura, R$ 50 mil.

Além de desviar verbas federais destinadas a obras e programas de saúde do município, os envolvidos no esquema arrecadavam propinas pagas por empresas beneficiadas em licitações fraudulentas.

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