Papéis indicam que TCE era bunker do esquema

Documentos apreendidos pela Polícia Federal mostram que o Tribunal de Contas do Estado do Amapá funcionava como uma espécie de bunker da quadrilha, desmantelada na semana passada pela Operação Mãos Limpas, que seria integrada pelo governador Pedro Paulo Dias (PP), políticos, empresários e altos dirigentes do Estado.

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

Em vez de zelar pela moralidade orçamentária, o tribunal, conforme as investigações, aprovava contas cheias de vícios, convalidava licitações fraudulentas e legitimava o esquema de corrupção espalhado pelos vários setores da máquina pública. Em troca, seus membros participavam da partilha do dinheiro da corrupção.

Uma das provas mais contundentes são planilhas, submetidas à análise da perícia, que mostram, por exemplo, que cada um dos sete conselheiros recebia ressarcimento de despesas médicas em valores que variam de R$ 15 mil a R$ 160 mil mensais. Há indícios de que os recibos dessas despesas são falsos e os tratamentos alegados não existiram. Isso ajuda a explicar por que o presidente do tribunal, José Júlio de Miranda Coelho, um dos presos na operação, levava vida de milionário. Na mansão de veraneio, em João Pessoa, onde Coelho passava boa parte do ano, a polícia apreendeu cinco carros de luxo: uma Ferrari, uma Maserati, duas Mercedes e um Mini Cooper.

Para evitar que os carros sofressem com maresia ou outros efeitos climáticos, a garagem era climatizada e tinha revestimento especial.

Mas Coelho não estava só. As investigações constataram que os demais membros do tribunal ostentam sinais externos de riqueza incompatível com o salário que recebiam, de cerca de R$ 20 mil mensais, e podem ser obrigados a ressarcir os cofres públicos, quando o tamanho do rombo estiver calculado.

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