Para advogado da CPT, medidas no Pará são ''paliativas''

Um dia depois de participar do encontro com a secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista Afonso afirmou que as medidas anunciadas pelo governo são "paliativas" e que falta ação do poder público nos assentamentos do Pará. "A reunião chegou muito tarde, teria que ter sido feita há oito anos. Pena que (o governo) está fazendo atrasado e em cima de três cadáveres", criticou.

Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2011 | 00h00

Na avaliação de Afonso, a proteção aos ameaçados de morte anunciada pela ministra é importante, mas ele insistiu que é necessária também investigação permanente das ameaças. "Se o governo investisse em investigação, muitas lideranças poderiam estar vivas."

Segundo o advogado, José Cláudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, mortos na semana passada em Nova Ipixuna, faziam parte de uma lista de 30 líderes rurais do sudeste do Pará ameaçados de morte. Ele informou ainda que, nos últimos dois anos, a CPT entregou todos seus relatórios para o Ministério da Justiça.

Atuante na CPT do sudeste paraense desde o massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996, Afonso afirmou que a violência na região não diminuiu. "De lá para cá, só no Pará, 202 trabalhadores rurais foram assassinados, sem incluir os 19 do massacre", destacou.

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