Para advogado, foi provada inocência de Palocci na quebra de sigilo

O ex-ministro da Fazenda e candidato a deputado federal Antonio Palocci está tranqüilo e não se opõe à quebra do sigilo telefônico da sua antiga residência oficial, autorizada pela Justiça Federal a pedido da Polícia Federal de Brasília, nesta terça-feira. A informação é do advogado de Palocci no caso, José Roberto Batochio.O pedido de quebra de sigilo feito pela PF é apenas para o período da semana em que Palocci foi acusado de ter comandado a violação do sigilo bancário do ex-caseiro Francenildo dos Santos Costa.Batochio criticou a investigação, afirmou que já ficou comprovada a inocência de Palocci no caso, quando a quebra do sigilo foi assumida pelo ex-presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Jorge Mattoso, demitido junto com o ex-ministro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva."Toda a acusação foi para o espaço e, como não há nada contra o ex-ministro, querem vinculá-lo à divulgação pelo caso feita pela imprensa", disse Batochio. "Se a Polícia Federal não descobrir nada, e isso vai acontecer, será que ela irá dar um atestado informando sobre a inocência?", completou o advogado.O advogado disse, no entanto, estar preocupado com a divulgação de outras informações que possam ser segredo de Estado, obtidas a partir da quebra do sigilo do telefone da residência oficial do ministro da Fazenda. "E se alguma autoridade financeira ligou para o ministro à época? Isso vai ser exposto?", indagou. "Só não esculhambem a democracia do Brasil", concluiu. AcusaçãoNildo, como é conhecido o caseiro, denunciou, em entrevista exclusiva ao Estado, no dia 14 de março, as visitas do então ministro da Fazenda, Antônio Palocci, à mansão alugada em Brasília pelos lobistas conhecidos hoje como república de Ribeirão Preto e afirmou ter visto dinheiro chegar em malas e ser dividido na casa. Palocci sempre negou que tivesse visitado a mansão. Dois dias depois de sua entrevista ao Estado, o caseiro teve seu sigilo bancário violado. O escândalo chegou a seu ápice com o depoimento do então presidente da Caixa, Jorge Mattoso, à Polícia Federal. Ele revelou à PF que entregou pessoalmente os extratos bancários de Nildo a Palocci. Foi a gota d´água que culminou com as demissões de Palocci e de Mattoso do governo Lula.

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