Para advogado, valor deve ser reduzido por tribunal superior

A sentença proferida ontem pela Justiça fluminense em favor de uma das vítimas do acidente da Gol foi considerada um marco por advogados especializados em indenizações. Mas, na avaliação deles, os valores certamente serão revistos para baixo pelos tribunais superiores. "A decisão do juiz Mauro Nicolau Júnior foi brilhante", elogiou o advogado Leonardo Amarante, que defende 55 parentes de vítimas da tragédia do vôo 1907. "O problema é que essa não é a realidade do Brasil. Duvido que esses valores sejam mantidos. Tenho certeza que advogados da empresa conseguirão reduzir esse patamar." É por esse motivo, diz Amarante, que a maioria das famílias opta por procurar a Justiça americana. Além de julgar com mais rapidez, ela se notabilizou nos últimos anos por conceder indenizações elevadas. "A impunidade no nosso País também decorrer dessa prática absurda. Sai barato matar aqui", criticou o advogado. Oficialmente, 105 famílias de vítimas da Gol subscrevem a ação indenizatória que tramita num tribunal de Nova York. Nesse caso, o pedido de ressarcimento é contra a ExcelAire, proprietária do Legacy, e a Honeywell, fabricante do transponder (equipamento que estabelece o contato entre a aeronave e os radares em terra) do jato. Passado quase um ano do acidente, de 20 a 30 parentes de vítimas ainda não ingressaram com processo. Outras 18 entraram em acordo com a companhia e retiraram as ações. O advogado Luiz Roberto de Arruda Sampaio diz acreditar que a Justiça de Nova York deva decidir sobre o caso até o fim do ano. Ele defende atualmente outras 30 famílias. "A Justiça norte-americana é mais ágil e os valores, maiores".

Bruno Tavares e Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

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