Para Alckmin, aliança de Lula com os Sarney é aliança com passado

Em discurso para prefeitos e outras lideranças do Maranhão, o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, acusou seu adversário petista, o presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, de trocar o "apoio à luta popular pela parceria com as oligarquias". Ele não citou nomes, mas deixou claro que se referia à aliança de Lula com o clã Sarney, que há 40 anos comanda a política no Estado.Para Alckmin, essa união é uma prova de que Lula está comprometido com o passado e que mantém "a visão errada de tomar o poder para si e para seu grupo". Ele assegurou que, eleito presidente, jamais deixará de lado a convicção de que "política é serviço". "Nós somos instrumentos do povo, quero olhar nos olhos das pessoas antes e depois das eleições", afirmou. "Quero ser um presidente com os pés no chão". Alckmin não poupou Lula. Acusou-o de, nos quatro anos de governo, dar prioridade à compra do jato presidencial - o ´aerolula´ -, a corrupção em órgãos públicos, o pagamento do mensalão para parlamentares e o lucro recorde dos bancos. "Quero alertá-los que meu adversário mudou muito, porque o poder muda muito as pessoas", avisou. "E o que vimos foi o povo sofrendo nas filas em busca de atendimento médico e a compra de um avião de luxo". Segundo ele, Lula teve a sua chance, mas deixou passar a oportunidade. "E o que vimos foi uma lambança do ponto de vista ético, o governo não funcionou, é ineficiente, devagar", acusou.Geraldo Alckmin chegou a São Luis no início da noite desta segunda-feira, como convidado da Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (Famem). Foi recebido no aeroporto e no hotel onde discursou e respondeu a perguntas dos prefeitos. Jackson LagoLula também foi convidado mas, segundo a assessoria da entidade, ainda não respondeu se vai ou não se encontrar com os prefeitos. A expectativa, anunciada pela equipe do tucano, de que se encontraria com o ex-prefeito e candidato do PDT ao governo, Jackson Lago, não se confirmou. Segundo Alckmin, para não causar constrangimentos a Lago, apoiado na eleição pelo PT e por outros partidos da base parlamentar de Lula. Ainda assim, ele declarou seu apoio ao candidato do PDT, adversário da senadora Roseana Sarney (PFL), por considerá-lo "um homem sério, competente e honesto". Fora da ligação de Lula com as "oligarquias", o tucano evitou críticas diretas a Roseana. No Aeroporto, quando uma pessoa procurou desqualificar Roseana, aos berros, os assessores de Alckmin mandaram que ela se calasse.Em seu discurso, o candidato procurou mostrar como a falta de crescimento do País nos últimos anos acentua as dificuldades do Estado, a ponto de estagnar as chances de melhoria na avaliação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), tido hoje como um dos piores do País. Ele prometeu "recriar o sonho do desenvolvimento", com apoio à agricultura, geração de novos empregos, cortes nas taxas de juros e o fim do desperdício no serviço público. "O Brasil não pode crescer só 2%, vamos pisar no acelerador, o Brasil pode muito".

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