Para Almeida, não se deve ''fechar loja'', mesmo irregular

O titular de Controle Urbano, Orlando Almeida, já defendeu tolerância de 90 dias aos comerciantes que tiverem estabelecimentos lacrados após a terceira autuação. Almeida quer, por exemplo, uma "ação mais didática" na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, área nobre no Jardim Europa. No bairro, no início do mês passado, uma ação da Secretaria de Coordenação das Subprefeituras resultou no fechamento de lojas de carros e de decoração irregulares. "Não se pode, em época de crise, fechar uma loja e deixar seis pessoas desempregadas", disse. O secretário Andrea Matarazzo, titular das Subprefeituras, que comandou a operação no Jardim Europa, não quis comentar a defesa da tolerância de 90 dias feita pelo novo secretário. Matarazzo também foi mentor das ações que resultaram no fechamento de cerca de 400 comércios ilegais e de 158 bingos nos últimos três anos.A mudança também ocorre por pressão de setores próximos da atual gestão e insatisfeitos com os fechamentos de lojas, bares e novas obras do mercado imobiliário. O governo oficialmente nega e diz que a nova pasta vai trabalhar em conjunto com a Coordenação das Subprefeituras. "As ações serão coordenadas", disse Almeida na segunda-feira, durante apresentação do balanço dos últimos quatro anos de gestão. O titular de Controle Urbano já foi secretário de Habitação e assessor especial do gabinete do prefeito.Mas há algum tempo o formato da Coordenação das Subprefeituras vem sendo modificado. Antes das eleições, as 31 subprefeituras perderam a administração das bibliotecas municipais, assim como as obras nas áreas de Saúde e Educação. Os clubes municipais, outro ponto forte - principalmente pelo contato direto com a população -, também saíram dessa estrutura e passaram para a Secretaria de Esportes. Restou a fiscalização de pequenas obras e a manutenção da cidade.As subprefeituras têm 671 fiscais, chamados de agentes vistores, que aplicaram entre 1997 e 2007, em média, 173 multas por dia. São cerca de 600 tipos de irregularidades fiscalizadas por esse exército do bloco e caneta, responsável por monitorar 55 mil bares e restaurantes, 2,7 milhões de imóveis e 50 mil quilômetros quadrados de calçadas. A intenção de Kassab ao mudar o perfil do gerenciamento da fiscalização também foi acelerada após a prisão de quatro fiscais da Subprefeitura da Mooca, dois meses antes das eleições, acusados de achacar camelôs. Pressionado, o subprefeito da Mooca Eduardo Odloak, ligado a Matarazzo, pediu demissão há duas semanas.

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