Para ANA, País precisa de R$ 18,2 bi para não faltar água

Investimento em 64% do território iria para obras de ampliação, adequação e aproveitamento de mananciais

João Domingos, Agência Estado

09 de dezembro de 2009 | 13h08

Para garantir o abastecimento de água em municípios e regiões metropolitanas mapeados pela Agência Nacional de Águas (ANA) em 64% do território nacional (2.965 municípios), são necessários investimentos de R$ 18,2 bilhões, até 2015, em obras de ampliação e adequação dos sistemas produtores e no aproveitamento de novos mananciais.

 

A informação consta do mapa dos mananciais e sistemas de produção de água em regiões estratégicas do País, divulgado há pouco pela ANA, em Brasília. O diretor-presidente da agência, José Machado, fez a ressalva de que, além dos R$ 18,2 bilhões, serão necessários altos investimentos também em saneamento básico.

 

As áreas do País compreendidas pelo mapa da ANA incluem todas as regiões metropolitanas, toda a Região Nordeste e os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, englobando 2.965 municípios.

 

José Machado informou que, a partir de agora, o atlas dos mananciais e sistemas de produção de água do País será atualizado constantemente, de modo a oferecer aos poderes públicos as informações para que possam desenvolver projetos de soluções.

 

O levantamento nas regiões metropolitanas cobriu 430 municípios com mais de 250 mil habitantes cada um, totalizando 94 milhões de moradores. Segundo Machado, a ANA constatou que 66% desses municípios precisam de ampliação e adequação dos sistemas produtores de água e de iniciativas para aproveitamento de novos mananciais, o que significa investimentos de 12 bilhões.

 

Machado acrescentou que, para que essa água tenha condições de ser usada, são necessários nesses municípios investimentos de mais R$ 15,7 bilhões em saneamento.

 

Segundo o diretor-presidente da ANA, a situação das regiões metropolitanas é a mais preocupante, porque devem receber um acréscimo de 25 milhões de habitantes até 2025. Machado mencionou os casos dos sistemas da Cantareira, em São Paulo, e do Guandu, no Rio de Janeiro, que hoje abastecem 19 milhões de pessoas, mas estão "praticamente esgotados".

 

De acordo com o levantamento da agência, o Estado que mais requer investimentos em abastecimento é o de Pernambuco, onde há escassez hídrica, e o segundo é o da Bahia, por causa do grande número de municípios, a maioria deles situada na região do rio São Francisco, maior manancial do Nordeste.

 

Machado observou que o São Francisco é responsável pelo abastecimento de 111 municípios do sertão em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. O diretor disse que, quando for concluída a obra de transposição do São Francisco, passarão a ser abastecidos 198 municípios da Região Nordeste, incluindo áreas dos Estados do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. Machado concluiu informando que, no Nordeste, há 179 municípios que precisam de novos mananciais, porque os atuais estão esgotados.

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