Para analistas, Lula terá pressões para flexibilizar economia

Apesar de não verem como um sinal de guinada na política econômica, a declaração sobre o "fim da era Palocci", dada pelo ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, mostra, para os agentes de mercado, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofrerá mais pressões no segundo mandato para flexibilizar a gestão da economia, o que preocupa o mercado.Segundo os analistas, o discurso de Tarso também é preocupante por atingir diretamente aquele que deve ser o principal articulador da agenda econômica do governo no Congresso. "Não acho que o presidente pretenda abandonar os pilares que deram estabilidade à economia, como a meta de superávit e o controle da inflação, mas o jeito de falar (do ministro Tarso) certamente divide, o que não é bom", avalia Alfredo Moraes, presidente da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro."Há, claramente, nesse discurso, um sinal de que o presidente Lula terá que administrar melhor a ala desenvolvimentista do governo. E como o momento não é propício para mudanças no discurso econômico, o mercado certamente acompanhará essa discussão com atenção", afirma Sandra Utsumi, economista-chefe, do Espírito Santo Investment.Para Moraes, da Andima, ainda será preciso acompanhar as próximas declarações de Tarso e da ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef - outra desenvolvimentista assumida -, para clarear melhor o cenário do embate na agenda econômica do País. "Acho que o principal é saber se esse tipo de discurso é ou não autorizado. Porque se tiver sido autorizado, o mercado, com certeza, demandará mais de detalhes", diz.Para o estrategista e sócio do Pátria Hedge Fund, Luis Fernando Lopes, o presidente Lula vê a política como vencedora - até por tê-lo levado à vitória na eleição - e não deve mudá-la no curto prazo, seja com aumento ou não de pressão para tal. "No fim das contas quem decide é o presidente e eu não consigo vê-lo mudando isso agora", diz, ressaltando, entretanto, que uma discussão mais aprofundada sobre os rumos da política econômica pode se dar já em 2007. "O governo conta com a queda da taxa de juros e com a manutenção, durante mais alguns meses, das condições externas, para que o País cresça mais. Se isso não ocorrer, provavelmente teremos uma volta desse debate (de flexibilização da política econômica)", analisa.

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