Para analistas, petista tem certeza de vitória no dia 3

Projeto de Estado autoritário, orientação chavista, ocupação da máquina pública, afronta à democracia. Essas foram algumas das avaliações de cientistas políticos sobre as declarações do ex-ministro José Dirceu.

Alfredo Junqueira, Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2010 | 00h00

Para Roberto Romano, professor de Ética e Política do Departamento de Filosofia da Universidade de Campinas, Dirceu não se limita a prometer uma guinada para esquerda, mas um projeto de Estado autoritário. As declarações revelam, segundo Romano, que o eventual governo de Dilma Rousseff será marcado por disputas políticas pelas divisões de poder. "Dirceu deve estar querendo tirar dividendo na campanha para impor seus seguidores e linhas políticas ao próximo governo."

O PMDB é visto como moderador nas ambições manifestadas por Dirceu, para o cientista político Luiz Werneck Vianna, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. A representação do partido no Congresso e a presença do vice Michel Temer (PMDB-SP) devem pesar. "Dilma vai ficar mais próxima do PT do que o próprio Lula, que ficou maior que o partido", diz.

O diretor-geral do Centro de Pesquisas e Análises da Comunicação, Rubens Figueiredo, avalia que, apesar de não atrapalharem a campanha de Dilma, as declarações de Dirceu são perigosas e denotariam a possibilidade de dar voz aos arroubos de controle da imprensa. "Caminharemos a passos largos para a Venezuela. A diferença é que Dilma não é Chávez (presidente do país)."

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