Para aprovar acordo, promessas e orações

Empresa foi apresentada como gigante canadense que queria investir no Brasil

, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2010 | 00h00

A assembleia que aprovou o contrato com a Colossus se deu em meio à disputa pelo comando da cooperativa dos garimpeiros. A reunião, em 5 de julho de 2007, foi convocada pelos líderes garimpeiros ligados ao senador Edison Lobão. Era o prazo final para que as empresas interessadas em se associar à cooperativa apresentassem as propostas.

Estava tudo combinado. Garimpeiros concentravam-se num galpão próximo à mina quando apareceu a única proposta, levada por uma figura até então desconhecida na área, o geólogo Heleno Costa, representante da Colossus. A empresa foi apresentada como uma gigante canadense que queria investir no Brasil.

O vídeo da reunião - que virou DVD e é vendido em um boteco do garimpo, junto com cópias de documentários sobre a história de Serra Pelada - mostra o esforço do grupo de Lobão para aprovar a parceria. Do tablado da assembleia, microfone à mão, eles apelavam a discursos emocionados. Puxavam até orações em prol do negócio.

O contrato, diziam, seria a tábua de salvação para milhares de garimpeiros pobres que ainda sonham em mudar de vida graças ao ouro.

Parte da plateia era de supostos garimpeiros levados do Maranhão em caravanas lideradas por Gessé Simão, o atual presidente da Coomigasp e um dos mais fiéis aliados de Lobão no garimpo.

Ao longo do tempo, a lista de associados foi sendo inflada com migrantes pobres do interior maranhense, Piauí e até do Entorno de Brasília.

Em 2006, cerca de 4.500 garimpeiros estavam no cadastro da cooperativa. Atualmente, esse número chega a 43 mil pessoas. / L.N. e R.R.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.