Para Balbinos, abrigar presos foi um mal necessário

Visitantes de presidiários movimentam a economia da cidade

Eduardo Nunomura, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

Edna Carneiro, de 43 anos, viu o risco que os três filhos corriam ao conviver com a violência paulistana. No fundo, temia que terminassem como o marido, que cumpre 13 anos de prisão. Fez as malas e mudou-se com a família para Balbinos, no oeste paulista. Descobriu que tem tudo para recomeçar a vida, de preferência longe do Primeiro Comando da Capital (PCC) que jurou de morte o companheiro. Como ela, mulheres de presos estão se mudando para o interior. ''''Aqui é tranqüilo, não tem marginal, não tem violência. Tá tudo preso, né?'''', graceja. Balbinos viu os imóveis sofrerem uma súbita inflação. O aluguel de uma casa de três quartos dobrou, de R$ 200 para R$ 400. E há aqueles, como a dona da padaria, Luzia Cecília Guandalin que comprou quatro casas, num bairro hoje apelidado de Itaquera, para alugar. ''''O presídio é viável, fez bem à cidade, mas falta melhorar o resto, porque não tem banco, farmácia ou hospital decentes.'''' Sorte de Ailton Carlos Rigoto, dono do Serv Bem. O supermercado existe há 15 anos, mas até antes do presídio Ito, como o microempresário é conhecido, só tinha um carro, ''''um Gol quadrado''''. Hoje tem outros três novos. Seu comércio é o posto de abastecimento para as mais de 200 visitantes. ''''Como comerciante, melhorou muito, mas não digo pelo resto da cidade. A maioria do povo brasileiro é preconceituoso, e não vê que se estão presos é porque estão pagando pelo crimes.'''' Nos fins de semana, as mulheres de presos lotam Balbinos. Elas gastam entre R$ 100 e R$ 200. Montam na cidade o ''''jumbo'''', formado de alimentos, refrigerantes, cigarros e produtos de limpeza. E têm de cozinhar nas pousadas, que oferecem fogão a R$ 3, jantar a R$ 5 e cama a R$ 15. A maioria vem de excursão, cuja passagem de ida e volta custa R$ 70 para quem parte de São Paulo. Antes do presídio, Balbinos só encolhia. Chegou a ter 4 mil habitantes, mas com o declínio do café, o êxodo rural prevaleceu. O prefeito Ed Carlos Marinho (PSDB) e os vereadores acharam que abrigar presos poderia deter a debandada. ''''Era um mal necessário'''', diz Marinho, que no ano que vem, ao deixar a prefeitura, pode assumir sua vaga de agente penitenciário em Reginópolis.

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