Para Beltrame, só UPP não resolve; Estado tem de agir junto

Durante Conferência Anual de Segurança Pública em SP, secretário afirmou também que até a Copa de 2014, número de comunidades ocupadas pode chegar a 40

Wladimir D'Andrade, Agência Estado

08 Novembro 2010 | 19h38

SÃO PAULO - O secretário estadual de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse que somente a ocupação de favelas pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não é suficiente para combater a criminalidade. Para ele, o Estado tem de assumir sua responsabilidade no problema e levar às comunidades atendidas os serviços públicos essenciais. "Entrar na favela e ficar não vale somente para a polícia. A polícia não vai resolver. Tem que o Estado vir atrás", disse ele, durante palestra na Conferência Anual de Segurança Pública, encontro que começou hoje e vai até amanhã em São Paulo.

 

Beltrame defendeu o trabalho conjunto entre os governos estadual, municipal e federal na questão da violência urbana. Ele se referiu a essa aliança, inclusive, como a "santíssima trindade". "Depois de a polícia ocupar, é preciso que chegue o serviço público a esses locais. O Estado, o município e a União têm de fazer o seu papel", afirmou. "Caso contrário, não culpem o secretário de segurança", completou.

 

Ele defendeu o modelo das UPPs justificando que, além de ser barato por apenas haver gasto com o efetivo policial, o projeto dá "esperança" aos moradores das comunidades. Como exemplo, mencionou que o número de prisões na Cidade de Deus, na zona oeste do Rio, subiu 532% desde a ocupação, o que mostra, de acordo com Beltrame, que a população perdeu o medo de denunciar os crimes que ocorrem na sua região.

 

"Os criminosos praticavam crimes e voltavam para seu território. Agora, ele bate de frente com a polícia, que antes nem chegava perto dali", afirmou. Hoje, diz, "o policial pode atender a ocorrência sabendo que lá (na favela) não tem, ou tem muito pouca arma de fogo". "A lógica não é só prender o líder, ou apreender a droga, mas sim retirar o território do tráfico."

 

Beltrame disse ainda que até a Copa do Mundo, em 2014, o número de comunidades ocupadas passará de 13 atualmente - a última foi a do Morro dos Macacos, na zona norte da capital fluminense - para 40. Ele contou que a secretaria prepara um decreto para garantir as UPPs até o ano do mundial de futebol. "Quando o projeto ficar pronto, vamos observar um arco da zona sul à zona norte (do Rio) de ocupações."

 

Política. O secretário dedicou parte da palestra para falar das dificuldades na implantação das UPPs no Rio de Janeiro. De acordo com ele, sua equipe "teve peito" para enfrentar a questão e entrar em confronto com os poderes locais. "Tem que ter peito porque nesses lugares existe de tudo, desde o tráfico de drogas e milícias a políticos que tinham nessas comunidades seu reduto eleitoral", contou.

 

Para Beltrame, o maior ganho da segurança pública nos últimos anos é a ausência de políticos no comando do setor. "Havia uma estrutura de manutenção do poder, e não de prestação de serviço", concluiu.

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