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Para colombianos, PCC lembra o cartel de Medellín

As recentes ações do PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo são comparadas por colombianos ao período de terror vivido pelo país quando Pablo Escobar comandou o cartel de Medellín. Políticos, autoridades e analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmaram que Escobar tinha necessidade de mostrar que era mais poderoso do que o Estado e que, com suas ações, era capaz de parar cidades - como ocorreu com Bogotá, capital da Colômbia, e Medellín."Foi impressionante o que aconteceu em São Paulo. Eu me lembrei dos nossos dias com Pablo Escobar. Com a capacidade que ele tinha para nos amedrontar e parar as cidades", disse o senador Antonio Navarro, que chefiou até domingo a campanha eleitoral do candidato à Presidência Carlos Gaviria.Alerta Para o analista Alfredo Rangel, a outra relação entre aqueles dias de violência em Medellín e em São Paulo está nas prisões. Em Medellín, elas também não eram seguras, e muitas vezes, recordou Rangel, os grandes líderes determinavam as ações criminosas a partir das cadeias.Um funcionário do primeiro escalão do governo do presidente reeleito Álvaro Uribe disse que o Brasil "deve estar atento" aos avanços dos narcotraficantes. "É hora de agir e não permitir que eles voltem a mostrar que têm poder, que podem mais que o Estado", afirmou. Exemplo colombianoRangel recorda que a recuperação de Medellín só foi possível graças a um pacote de medidas. Elas incluíram ações conjuntas do Exército e da polícia, com profissionais especializados em combater e capturar grandes criminosos.O pacote contou ainda com os chamados juízes "sem rosto" - suas identidades não eram reveladas - para julgar os narcotraficantes. Logo depois, a Colômbia passou a ter três prisões nacionais de segurança máxima e distantes das áreas de ação dos bandidos.Nelas, hoje, os telefonemas são controlados, presos são isolados, para impedir motins ou a organização de novos crimes. Os seguranças das cadeias recebem cursos especiais e têm tempo limitado em cada prisão - tudo para evitar que sejam corrompidos pelos presos mais poderosos. "Não quer dizer que todo o sistema colombiano esteja resolvido e em boas condições. As outras prisões, onde estão presos comuns, também sofrem com excesso de gente e corrupção", disse Rangel. "Mas têm dado resultados para o país as prisões de segurança máxima, onde estão os líderes do narcotráfico, da guerrilha e dos paramilitares", afirmou Rangel.

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