AFP PHOTO / FILIPPO MONTEFORTE
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Para combater fome, Papa manda cheque para Graziano

Diretor-geral da FAO foi surpreendido com a contribuição da Santa Sé

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2018 | 13h24

GENEBRA - Momentos depois de apresentar ao mundo um informe revelando que a fome no mundo havia aumentado e chegava já aos índices da década anterior, o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, foi surpreendido com a chegada de um cheque assinado pelo próprio Papa Francisco.

Tratava-se de uma contribuição que o pontífice decidiu fazer na luta contra a fome. Ainda que a FAO não divulgue o valor doado, ela indica que se trata, acima de tudo, de um gesto "simbólico". 

"Recebemos, imediatamente após o anúncio do aumento das pessoas que passam fome no mundo, um cheque assinado pelo papa, com a contribuição da Santa Sé para a FAO", relatou ao Estado o diretor da FAO, que foi ministro no governo Lula e criado do Fome Zero

"Isso vem num bom momento. A FAO passa por dificuldades financeiras e, ao mesmo tempo, vê crescer o número de pessoas famintas no mundo", disse. "Espero que outros países sigam o mesmo caminho e adotem a mesma generosidade que teve o papa", completou Graziano.  

Depois de uma década de avanços no combate à fome, a desnutrição voltou a aumentar no mundo, principalmente na América do Sul e na África. Os dados divulgados nesta semana revelaram que, em um ano, o número de pessoas passando fome saltou de 804 milhões para 821 milhões, subindo de 10,6% da população mundial para 10,9%. Isso representa uma em cada nove pessoas.

Uma das regiões mais afetadas pela nova realidade é a América do Sul. De acordo com a FAO, 4,7% da população da região era considerada como desnutrida em 2014. Hoje, a taxa é de 5%. 

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