Para CUT e Força, escândalos prejudicam imagem de sindicalistas

O envolvimento nos vários escândalos deflagrados durante o governo Lula de ex-líderes sindicais que hoje ocupam cargos no governo federal, pode colocar em dúvida se os quadros formados pelo movimento sindical têm capacidade para atuar com eficiência e profissionalismo à frente da máquina pública. Tal avaliação é admitida pelo presidente interino da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, e pelo coordenador nacional de relação com os movimentos sociais da campanha à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva e secretário-geral licenciado da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício.O mais recente envolvimento de ex-sindicalistas em escândalos do governo está na participação de Jorge Lorenzetti, ex-secretário de Formação Política da CUT, de Oswaldo Bargas, ex-diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ex-secretário-executivo do Ministério do Trabalho, e do deputado Ricardo Berzoini, presidente nacional do PT e ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na intermediação da compra do suposto dossiê que ligaria o ex-ministro da Saúde e candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra, à máfia das ambulâncias."É gravíssimo o fato em si e a eventual participação, ainda passiva de comprovação, de ex-sindicalistas nesse caso. Um erro político que fará com que setores conservadores tentem jogar na sarjeta todo o movimento sindical", opinou Juruna.Felício tem opinião similar, mas tenta minimizar o fato lembrando que os mesmos setores conservadores "sempre" tentaram impedir a ascensão dos sindicalistas ao poder. "Esses setores sempre nos trataram com preconceito e não aceitaram nossa vitória nas urnas. É certo que usarão episódios como esse para tentar desqualificar a atuação de ex-sindicalistas dentro do governo, mas estamos dispostos a comparar a administração Lula com qualquer outra", disse o secretário-geral da CUT.De acordo com Felício, é "natural e óbvio" que o presidente Lula deveria ocupar os cargos de confiança da máquina pública com ex-sindicalistas. "São pessoas que vieram da base social de Lula e esse processo é igual aos outros preenchimentos de cargos de confiança. Tome como exemplo as administrações da cidade e do Estado de São Paulo: todos os quadros de confiança foram preenchidos por militantes do PSDB e do PFL", argumentou.De toda forma, Juruna entende que houve um risco desnecessário à imagem do movimento sindical em mais esse escândalo que envolveriam integrantes do governo e filiados do PT. "Fica uma impressão de que os sindicalistas não têm capacidade de atuar, o que é um erro, se olharmos a atuação das ex-lideranças sindicais hoje nos partidos trabalhistas inglês e sueco, tanto no governo, como nos parlamentos da Europa", observou.

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