Giovana Girardi / Estadão
Giovana Girardi / Estadão

Pará de Minas decreta situação de emergência por lama no Rio Paraopeba

Rejeito avança pelo rio e chega à cidade, que fica sem água; membranas instaladas pela Vale não conseguem conter todo o material, alerta ONG

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2019 | 20h50

O avanço da lama da Vale pelo Rio Paraopeba fez a cidade de Pará de Minas decretar situação de emergência nesta terça-feira, 5. O Paraopeba, que é a principal fonte de captação de água da cidade, foi atingido pela onda de rejeitos após o rompimento da barragem da empresa no último dia 25. De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), o rio já foi tomado pelos rejeitos em cerca de 120 km de sua extensão a partir do ponto de encontro da lama com o rio.

O prefeito Elias Diniz explicou no decreto que o rio tinha se tornado fundamental para o abastecimento da cidade, de cem mil habitantes, depois da crise hídrica que afetou a região entre 2013 e 2016. “Foi a única alternativa encontrada para colocar fim à situação calamitosa vivenciada pela população”, disse, complementando que desde então o município não conta com outras fontes de recursos hídricos para garantir o abastecimento regular.

Ele enumera também os riscos à saúde humana e para as criações de animais e cultivos agrícolas da cidade como motivos para o decreto. Com a decisão, ficam autorizados processos de desapropriação de propriedades localizadas em áreas de risco. A prefeitura de Pará de Minas foi procurada para informar quantos imóveis poderiam ser afetados, mas não retornou até o fechamento desta edição.

Contenção

A Vale informou que instalou nesta terça a terceira membrana de contenção de rejeitos no Paraopeba para proteger o sistema de captação de água da cidade, mas uma análise feita na segunda-feira, 4, por equipe da Fundação SOS Mata Atlântica apontou que ao menos até a segunda membrana o sistema não estava sendo muito efetivo.

O grupo, que está monitorando o rio de modo independente desde o local onde ele foi atingido pela onda de rejeitos, analisa em amostras d’água características como turbidez e oxigenação e vem observando que o rio está morrendo aos poucos, conforme a lama avança. Para avaliar a efetividade das membranas, fez coletas em um ponto anterior às barreiras e em um posterior. Os indicadores mostraram que as membranas estão tirando aproximadamente 50% do volume de rejeito. Questionado sobre essa era a contenção esperada, a Vale não se manifestou até o fechamento desta edição.

As chuvas que atingiram a região de Brumadinho, onde ficava a barragem da Vale, na segunda-feira, diluíram os rejeitos, fazendo a lama avançar mais rapidamente pelo curso do rio, que deságua no Rio São Francisco. “Se as chuvas persistirem a tendência é que ocorra a elevação da vazão, consequentemente o aumento da capacidade de transporte de sedimentos e aumento dos valores de turbidez”, informam o Serviço Geológico do Brasil e a ANA, no boletim divulgado diariamente sobre a situação do rio.

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