Para definir nome, eleita pede entendimento no PR

Como não há acordo interno, partido ainda não indicou ministro para compor o governo de Dilma Rousseff

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2010 | 00h00

Antes de nomear o ministro da cota do PR, Dilma Rousseff resolveu exigir que os integrantes da legenda se entendam sobre o nome que querem ver na equipe de governo. Dilma e o presidente do PR, senador Alfredo Nascimento, reuniram-se na noite de quinta-feira, mas nada ficou decidido porque não há um acordo no partido.

A própria Dilma gostaria de nomear Nascimento para o Ministério dos Transportes - o favorito para o posto -, mas não o fez ainda porque chegaram até ela reclamações da bancada de deputados, que reivindicam o posto para Luciano Castro (RR).

Como o PR elegeu 41 deputados - um número de votos que não pode ser desprezado pela presidente -, estes se acham no direito de reivindicar a pasta. Acontece que Dilma é amiga de Nascimento e pediu a ele que negocie um acordo. Os dois devem voltar a conversar na semana que vem.

Quem passa por situação semelhante é o PP. A bancada da Câmara não aceita nem ouvir falar na manutenção do atual ministro das Cidades, Márcio Fortes. Os deputados querem que ele seja substituído pelo ex-líder do partido, o deputado baiano Mário Negromonte, que tem o apoio do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

De acordo com informação do partido, tanto o futuro ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, quanto o presidente do PT, José Eduardo Dutra, já foram procurados pelos deputados do PP que, por unanimidade, pediram a troca do ministro. Os dois petistas, que integram a equipe de transição de Dilma, também pediram que o partido se entenda e depois apresente um nome.

Durante a campanha presidencial o PP não deu apoio formal a Dilma. Manteve-se na condição de independente. Mas o partido não deverá sofrer punição por ter abandonado a chapa petista, visto que elegeu 42 deputados, votos mais do que importantes para a aprovação de projetos de interesse do Palácio do Planalto no Congresso.

Saúde. No Ministério da Saúde, o nome de Fausto Pereira dos Santos ganhou força nos últimos dois dias. A indicação do ex-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar vinha sendo defendida por parte dos petistas, mas concorria com outros nomes dentro do próprio partido, como o do secretário de Saúde da Bahia, Jorge Solla, defendido pelo governador baiano.

A unidade petista só ocorreu depois do susto de terça-feira, com a quase indicação do secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes, para a pasta. Além da unidade dentro do PT, o nome de Pereira dos Santos desperta simpatia entre setores empresariais, entidades de classe e associações de especialistas na área de saúde. Mas o PMDB ainda luta para manter o ministério.

De acordo com informações da equipe de transição, ainda não está definida a criação do Ministério das Pequenas e Microempresas, uma promessa de Dilma Rousseff durante a campanha. Se esse ministério for criado, deverá ser entregue a Alessandro Teixeira. / COLABOROU LÍGIA FORMENTI

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