Para Dilma, acusação do rival mostra ''desespero''

Candidata do PT chama de ''factoide'' a ligação feita por Serra entre vazamento de dados da [br]Receita e sua campanha

Eliana Lima, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

A candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, disse ontem em Salvador que a ação dos tucanos contra sua campanha "demonstra desespero" - referindo-se às acusações do rival José Serra (PSDB), que atribuiu a pessoas ligadas a ela a responsabilidade pelo vazamento de dados fiscais de quatro tucanos na Receita Federal de Mauá (SP).

De acordo com a candidata petista, essa informação é requentada, "Não é possível que se utilizem novamente de um expediente sem provas para fazer factoides e acessar minha campanha." A presidenciável disse ainda que o PT entrou com duas ações contra o tucano. "Nós consideramos que é uma calúnia feita contra nós, que Serra vem fazendo sistematicamente". Pediu também providências à Polícia Federal para que investigue por que essas informações vazaram. "Se eram sigilosas, como é que apareceram nos jornais? Toda essa história nos causa muita estranheza. Quando os dados da Petrobrás vazaram, no passado, o PT não acusou o PSDB de ter promovido vazamento. Nós podíamos ter feito isso, mas não somos desse tipo" emendou.

Com relação à crítica segundo a qual ela olha muito para o retrovisor, Dilma comparou Lula e Fernando Henrique Cardoso. "Quando olho, vejo as realizações do projeto político a qual pertenço, vejo o rosto de uma liderança, o presidente Lula. Já meu adversário, quando olha para o retrovisor vê o que não quer ver, o governo anterior (FHC).

Sobre a pesquisa Datafolha que a deixou 20 pontos porcentuais à frente de Serra, ela evitou comentar, comparando pesquisa a jogo de futebol: "No futebol, o que vale é bola na rede. Na eleição o que vale é voto na urna."

Legado. Também em Salvador, onde lançou o edital de duplicação da BR-101 na Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que seu governo "deixa um legado" para os próximos e voltou a criticar a imprensa e a oposição por ter votado contra a prorrogação da CPMF.

"Este país era terra de ninguém", afirmou o presidente, em evento realizado no Palácio Rio Branco. "Não fizemos tudo o que era preciso, mas estamos mostrando que tem jeito. Hoje, o Brasil tem projetos, tem dinheiro e gente que sabe gerenciar, que sabe fiscalizar e que sabe executar. Também aprendemos a definir prioridades. Este é o legado que a gente vai deixar."

De acordo com Lula, vários setores da administração pública e da economia privada "aprenderam muito" durante o governo. "A imprensa ainda precisa aprender, porque nunca vi gostar tanto de notícia ruim", acrescentou, sério. Outros alvos de críticas foram a Lei de Licitações e a falta de um marco regulatório ambiental, que, de acordo com ele, atrapalham as obras no País. "Quem paga o prejuízo de uma obra parada por seis meses?", reclamou. "Ninguém assume essa responsabilidade. E depois dizem que o custo-Brasil é causado pelo salário do peão." / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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