'Para Dilma não há meia autonomia', diz Tombini

Futuro presidente do Banco Central diz que perseguirá meta de inflação de 4,5%, com câmbio flutuante e controle de gastos públicos

Adriana Fernandes, Fabio Graner, Célia Froufe, Fernando Nakagawa e Beatriz Abreu, O Estado de S.Paulo

25 Novembro 2010 | 00h00

BRASÍLIA

A presidente eleita, Dilma Rousseff, garantiu ao presidente indicado do Banco Central, Alexandre Tombini, que ele continuará com autonomia operacional para determinar as taxas de juros do País.

Segundo relatou Tombini, ela teria afirmado que não há "meia autonomia, mas autonomia total". Essa liberdade de atuação será usada para perseguir a meta de inflação, de 4,5%.

O sinal de que o Banco Central continuará blindado contra interferências políticas veio em resposta ao mal-estar gerado entre Dilma e o atual comandante do BC, Henrique Meirelles. A presidente eleita ficou irritada com os rumores de que Meirelles teria exigido garantias de autonomia como condição para permanecer no cargo. Com isso, ficou parecendo que qualquer outro titular diferente de Meirelles ficaria sujeito a interferências do Planalto.

Tombini ressaltou a importância do tripé formado por câmbio flutuante, metas de inflação e controle do gasto público. Esse caminho se mostrou correto, disse, pois o Brasil foi um dos primeiros países a sair da crise de 2008 e 2009.

Ele evitou comentar a pressão do mercado financeiro pela elevação da taxa de juros, argumentando que sua escolha ainda tem de ser submetida a uma sabatina no Senado. "Tenho participado da diretoria do Banco desde 2005. Fui responsável pela construção do arcabouço do sistema de metas no Brasil", disse.

Para Tombini, o regime de metas é simples e de fácil entendimento para a sociedade. "(O sistema) tem sido fundamental ao longo dos anos, já foi testado sob várias condições nesse período e vem funcionando como guia, permitindo que oriente ações de política monetária."

Sobre sua atuação no BC, ele comentou que pretende continuar o trabalho bem entrosado que vem fazendo com os ministérios da Fazenda e do Banco Central no Conselho Monetário Nacional (CMN). Em sua avaliação, foram produzidas importantes regulamentações para o País no sentido de tornar a economia mais sólida e o sistema financeiro, mais seguro.

Funcionário de carreira do BC, ele comentou que a sua indicação, além de ser "uma honra pessoal", representa o apoio de Dilma à meritocracia na administração pública. Tombini terá quatro vagas para compor seu time. Além da diretoria que ocupa e de uma outra vaga desocupada há muito tempo (a inativa Diretoria de Estudos Especiais), outras duas vagas serão abertas com a aposentadoria dos titulares: a de fiscalização, sob o comando de Alvir Hoffmann, e a de liquidação, dirigida por Gustavo do Vale.

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