Para diretor, ''erro'' originou cobranças e ações judiciais

O advogado Diogo Rezende de Almeida, que defende a Cral Cobrança e Recuperação de Ativos, uma das cobradoras processadas no Rio por titulares de cheque prescritos inconformado com a cobrança, afirma que "o problema é que os devedores querem se eximir das dívidas". Ele diz que "não há nenhuma ilicitude" nas ações da empresa, que tomam por base pareceres de quatro juristas, que asseguram a legalidade da cobrança das dívidas caducas: Humberto Theodoro Júnior, Fábio Ulhoa Coelho, Luiz Emídio da Rosa Júnior e Theóphilo de Azeredo Santos. "A empresa manda uma carta, avisando que comprou o débito", afirma.

, O Estadao de S.Paulo

06 de setembro de 2009 | 00h00

Almeida reconhece que alguma confusão pode ter acontecido porque os bancos às vezes comunicam o motivo errado para a devolução do cheque. Também afirma que, no caso de cheques roubados, a empresa cancela a cobrança. Mas diz desconhecer a existência de pagamentos à Cral feitos a pessoas físicas, como o citado por um dos protestados (leia na página C3). "Não sei se é verídica a informação", diz. E os valores são maiores que os originais do cheque por causa dos juros, diz.

O diretor de Operações da FMC, Eduardo Araújo, afirma que o grande número de reclamações relativas a letras de câmbio emitidas pela empresa a partir de cheques deve-se a uma prática anterior à sua entrada. "O que houve foi um erro que está sendo discutido judicialmente", declara, admitindo que até 2008 grande parte das sentenças condenava a empresa a indenizar o protestado. A Rainbow, diz, paga, depois de esgotados todos os recursos. "Mas não há conformidade nas decisões", afirma. "Às vezes, numa mesma situação, em processos diferentes, somos condenados em um e absolvidos em outro." Também segundo ele, a cobrança é maior do que o valor original do cheque por causa das taxas dos cartórios.

A Prêmio Comércio de Máquinas, Aparelhos e Equipamentos Elétricos Eletrônicos e a Network Associates do Brasil também foram procuradas pelo Estado. No telefone que era atribuído à Prêmio, um homem que se disse da Alri Organização e Cobrança disse não ter como localizar a Prêmio. A Network retornou as ligações.

Em nota, a Serasa diz só anotar informações dos cartórios. Avisada de protestos de cheques prescritos ou sem aceite, exclui as informações. O fato pode ser comunicado em http://www.serasa.com.br/empresa/agencias_atendimento/index.htm. Os protestos nos cartórios estão fora da alçada da Serasa.

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