Para DPH, a Lapa dos trens não tem valor

Entre as áreas na mira do mercado está uma das mais antigas indústrias

DIEGO ZANCHETTA e VITOR HUGO BRANDALISE, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2008 | 00h00

A maior parte dos imóveis na região da Lapa cujo processo de tombamento está sendo questionado pela Prefeitura foi construída na primeira metade do século passado - são 11 casas e sobrados e 6 galpões industriais. A justificativa dos técnicos do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) é de que os imóveis "não apresentam relevância arquitetônica ou histórica" para preservação. Entre as áreas está uma das mais antigas indústrias da região, a Fábrica de Tecidos e Bordados da Lapa, construída entre o fim do século 19 e o início do 20, na Rua Engenheiro Fox. O galpão da fábrica ainda apresenta elementos originais da época, como as grandes janelas basculantes e as linhas retas da fachada - para o DPH, porém, o lugar está em estado de conservação "irrecuperável" e "aparenta ter sido parcialmente demolido recentemente". Também há equipamentos culturais entre os imóveis sob análise, como uma praça, na Rua Eugênio Pinto Moreira, onde há um coreto colorido (rosa, verde, azul, amarelo) de concreto armado e linhas modernas - mas insuficientes para convencer os técnicos do DPH, que decretaram o local como "sem interesse de preservação". "Alguns lugares são agradáveis, mas não podemos tombar a cidade inteira. Há praças por toda a cidade. A maioria não merece preservação mesmo", diz o diretor do órgão, Walter Pires. Entre as casas e sobrados, habitadas por operários ao longo do século 20 e hoje classificadas como "de baixo gabarito" nos relatórios da Secretaria de Cultura, a maioria "não manteve a integridade arquitetônica" e, por isso, recebeu parecer contrário ao tombamento. Outros imóveis que estão na lista que será votada terça já foram demolidos, abandonados, ou estão completamente descaracterizados - como um galpão industrial da Faustolo, onde há um estacionamento.

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