Para Elton, o estímulo veio dos alunos

Dezessete anos, o primeiro trago, escondido da mãe. Quarenta anos, milhões de tragadas, agora escondido dos alunos. O educador Elton Isaac dos Santos só em 2009 bateu de frente com um motivo forte para largar o tabagismo, tentativa que ensaiou muito durante seus 23 anos de fumante. Foi trabalhar com meninos de rua, dependentes químicos. Crianças que recolhiam bitucas do chão quando faltava cigarro para sanar uma vontade ainda mais forte do que a do crack. "Fiquei sem moral para pedir que eles parassem de fumar sendo um fumante." No dia 7 de julho, Elton fumava em média cinco cigarros por dia, menos do que o maço inteiro de Parliament que costumava consumir em 24 horas. O grande receio dele era perder o controle no encontro com a cerveja. Mas beber sem fumar foi muito mais fácil do que ficar estressado e não procurar a companhia da nicotina. Nesse período em que foi acompanhado, houve dias inteiros de resistência e outros em que chegaram a seis diários. A média ficou em um cigarro por dia, uma pré-vitória para quem, no dia 5, começa o tratamento médico contra a dependência. "Um dos meus alunos falou que não preciso remédio, mas vergonha na cara." Elton diz que vai seguir o conselho. "E para quem aprendeu que a vida começa aos 40, não será o cigarro que vai acabar com ela."

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