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Para empresas, bloqueador em presídios não é melhor opção

Os presidentes da Vivo, Roberto Lima, e da TIM, Mario Cesar Pereira de Araujo, disseram nesta quarta-feira, 24, que, se o desligamento das antenas de celulares próximas aos presídios for estendido a todas as penitenciárias do País, de 15 milhões a 18 milhões de pessoas serão prejudicadas. No Brasil, existem cerca de 90 milhões de celulares em operação.A estimativa das empresas foi feita em sessão da CPI do Tráfico de Armas. O presidente da Vivo disse que, em São Paulo, 300 mil pessoas estão tendo problemas para falar em seus celulares com o desligamento das antenas próximas aos presídios nos municípios cidades de Araraquara, Avaré, Iaras, Franco da Rocha, Presidente Venceslau e São Vicente. Esse número representa 40% das populações nesses municípios. A medida foi adotada sexta-feira passada pelas empresas de telefonia nesses municípios, em cumprimento de uma determinação judicial.Os presidentes das duas companhias defenderam, como medida mais apropriada, a instalação de detectores de metal e aparelhos de raio-x para impedir que os celulares entrem nos presídios. Tanto Lima quanto Araújo disseram, na CPI, que o bloqueador de celulares não é a melhor opção. Sem garantiasO presidente da TIM disse que não há garantia de que esses aparelhos bloquearão toda a forma de comunicação, porque existem outras tecnologias, como o telefone fixo sem fio, telefone por satélite e rádio, por exemplo. Ele disse que, se forem usados bloqueadores para todas as freqüências, as autoridades penitenciárias correrão o risco de ficar incomunicáveis com o simples corte do fio dos telefones fixos.Araújo disse que um sistema completo de bloqueio de sinais custa cerca de R$ 1 milhão por presídio e que, nos Estados Unidos, nem o Pentágono nem a CIA usam bloqueadores de celulares. Ele sugeriu, além dos detectores de metais, que se estabeleça uma regra para que os presidiários possam comunicar-se, mas que essa comunicação seja monitorada pelas autoridades, como ocorre nos EUA."Estamos dispostos a colaborar com soluções que sejam práticas e resolvam o problema, e não com soluções temporárias e emocionais", afirmou Araújo, dando como exemplo a caixa de primeiros socorros que, anos atrás, foi tornada obrigatória em todos os veículos do País e se mostrou uma medida inócua.SoluçãoO presidente da Vivo, Roberto Lima, disse que, assim como entram celulares nos presídios, também entram alicates e ferramentas que podem ser usados para desligar os bloqueadores. Segundo ele, bloqueadores em mãos erradas podem comprometer a comunicação de milhares de pessoas. Sugeriu, além dos detectores de metais e aparelhos de raios-x, que seja definido um regulamento com acompanhamento rígido das medidas de segurança.O diretor de Operação e Manutenção de Rede da Claro, Rodrigo Andrade, disse, na CPI, que a solução mais efetiva passa por um trabalho conjunto de todos os envolvidos no assunto, tais como as autoridades policiais, políticas judiciárias.DefesaJá o presidente da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), defendeu a instalação dos bloqueadores. Torgan disse que vai pedir ao governo que tome medidas para instalar bloqueadores de celulares e detectores de metais nos presídios, além de intensificar a revista, tanto dos visitantes quanto dos próprios detentos.Torgan estimou que a colocação de bloqueadores de celulares deverá custar R$ 100 mil por penitenciária, o que daria um total de R$ 50 milhões em todo o País. O deputado acha que os recursos para compra e instalação desses bloqueadores poderiam vir tanto do Orçamento da União e das operadoras de telefonia. Mas ele pondera que as medidas devem ser adotadas em conjunto, mas advertiu que "enquanto tiver intimidação e corrupção, detector de metais e raio-x não funcionam".O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) levantou, nas discussões com os representantes das empresas de telefonia, a falta de um cadastro atualizado dos celulares pré-pagos. Já o deputado Luiz Antônio Fleury (PTB-SP) ponderou que não adianta discutir cadastro de pré-pago quando no Brasil é possível fazer mais de 20 carteiras de identidade diferentes, já que não há um controle integrado das Secretarias de Segurança Pública dos Estados.Texto atualizado às 19h30

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