Para especialista, falta planejamento da Aeronáutica

A situação tensa no sistema aeroportuário, devido aos atrasos dos vôos nos aeroportos do País nas últimas semanas, evidencia uma falta de planejamento de médio prazo do Ministério de Defesa. A afirmação é do consultor especialista no setor aéreo da consultoria Bain & Company, André Castellini. "Essa é a causa do que estamos vendo hoje. O Ministério da Defesa é o responsável pela estrutura aeroportuária e também pelo serviço de tráfego aéreo", afirmou Castellini, que acrescenta também que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), "não tem nada a ver com isso". "Resolver o problema cabe ao Departamento de Controle de Espaço Aéreo (Decea), ao Comando da Aeronáutica e ao Ministério da Defesa".Segundo ele, o que está acontecendo comprova problemas entre os controladores de tráfego aéreo e "em menor grau" uma atualização de equipamentos e radares.A solução, de acordo com o especialista, em curto prazo, é efetivar uma negociação inteligente com os controladores, sem impor disciplina militar. "Não adianta eles (Aeronáutica) imporem uma disciplina militar. Como a essência do problema é a carência de profissionais, que só poderá ser resolvida em médio prazo, o que tem que ser feito neste momento é uma negociação inteligente para obter novamente a colaboração desses controladores", disse.O especialista aponta o acidente com o vôo 1907 da companhia aérea Gol, ocorrido em 29 de setembro, e que deixou 154 mortos, como uma das causas para a perda de colaboração dos controladores. "Tem se emergido que os controladores teriam de certa forma contribuído com o acidente, por conta de alguns erros de controle aéreo, e diante disso eles resolveram adotar uma posição defensiva".Entretanto, um suposto apagão aéreo, especulado nos últimos dias, é descartado para o especialista. "Não acredito que vai ocorrer um apagão, no sentido que se fala de energia elétrica, por exemplo. Agora, dificuldades vão existir, mas não precisariam ocorrer se houvesse alguma reação por parte do governo".Ainda assim, Castellini acredita que, "apesar do alarde com os atrasos", se o Ministério de Defesa agir corretamente a situação poderá ser normalizada. "Se houver uma atuação eficaz e inteligente do governo dá para chegar a uma situação como estava há um mês".O especialista ressalta também que o caso merece atenção, por ser um mercado que não acompanhou o crescimento da demanda. "Nos últimos dois anos houve um crescimento de passageiros de 15% ao ano e não houve um plano de estrutura que acompanhasse", disse Castellini, complementando ainda que se não houver um plano de crescimento da estrutura não será possível confirmar perspectivas de estudos de crescimento, que "estimam triplicação do mercado".PrejuízosPara o especialista, os prejuízos causados às companhias aéreas são muitos grandes. Mas não só. De acordo com Castellini, os danos podem ser ainda maiores em relação à imagem que os passageiros poderão ter a partir de agora do serviço aéreo. "As companhias aéreas estão tendo muitos prejuízos e quem arca são os acionistas e investidores. São eles que estão absorvendo, inicialmente, os prejuízos. Elas (companhias) devem tentar o ressarcimento com o governo. Mas, além disso, o custo principal está na insatisfação dos clientes e em todo o setor de turismo", ressalta. "Transporte aéreo significa velocidade, redução de tempo. A partir do momento que se torna um calvário, as pessoas pensarão duas vezes antes de viajar".

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