Para especialistas, privatização é melhor saída para aeroportos

Estudo para concessões de terminais como Galeão (Rio) e Viracopos (Campinas) deve ficar pronto em 2009

Carolina Ruhman, Agência Estado

14 de novembro de 2008 | 17h57

Quando o assunto é concessão de aeroportos, a opinião dos especialistas é uma: a privatização poderia aumentar a eficiência, dar mais receitas para o governo e melhorar a prestação de serviço ao público. "Privatização dos aeroportos com regulação, eu acho que essa é a receita para uma prestação de serviço melhor", avalia o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), Apostole Lázaro Chryssafidis.   Veja também: Estudo de concessão de aeroportos deve ter fim até junho Edital para ampliação de Cumbica deve sair até 15 de dezembro Gaudenzi pode deixar Infraero se governo privatizar aeroportos   Obra do terminal 3 do Galeão iniciará em 2014, afirma Infraero   O presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Estratégicos e de Políticas Públicas em Transporte Aéreo (CEPTA), Respício Espírito Santo Júnior, cita que a privatização pode trazer mais velocidade, garantias e flexibilidade para as empresas irem ao mercado financeiro captar recursos com o objetivo de investir no aeroporto sob sua administração. Além disso, os investimentos em tecnologia também ficam mais fáceis, afirma acreditar.   Na visão de Chryssafidis, a parte crítica é a gestão do negócio, no caso, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). "Tem gente competente dentro, mas não tem a gestão dinâmica suficiente que o mercado de infra-estrutura aeroportuária exige", avalia.   Chryssafidis também defende uma melhoria na parte regulação da autoridade da aviação civil, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Para ele, o ponto-chave são as limitações de infra-estrutura. "É o caso do Aeroporto de Congonhas. Não dá pra achar que está tudo lindo, um aeroporto que tem capacidade de 12 milhões de pessoas receber 18 milhões (por dia)", criticou.   A preocupação do governo com a concessão dos aeroportos está intimamente ligada com a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no País. Para Espírito Santo Júnior, é imprescindível concretizar as bases para a infra-estrutura aeroportuária e de transportes terrestres para a 2014. "Temos de começar já. Não vamos esperar para 2010, 2011. Aliás, já devíamos ter começado", pontua Chryssafidis.   Entretanto, Espírito Santo Júnior destaca que o governo tem um "problema de timing". "Se passar do ano que vem, nós entramos em ano de eleição presidencial. Em eleição presidencial, ninguém vai fazer o mínimo que seja contrário a uma grande empresa pública, como a Infraero", aponta. Se as concessões não forem feitas até 2014, ele acredita que a Copa poderá ter sucesso comprometido.   Na visão do especialista, mesmo que as privatizações não ocorram, o importante é descentralizar a administração, para estimular a concorrência entre os aeroportos. "Mas a privatização é a melhor opção", apontou. Segundo ele, a opção traz ganhos como parceiros com expertise no setor, eventual acesso ao capital internacional (após o fim da crise, frisou) e uma maior velocidade de tomada de decisão.

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