Para especialistas, reverso inoperante não é proibido

Voar com um dos aparelhos sem funcionar é aceito por autoridades aeronáuticas brasileiras

O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

A queda do Airbus A-320 da TAM começou longe da cabine do piloto, caso a falha no reverso do avião seja confirmada como uma das causas do acidente. Isso porque a autorização para que o avião continuasse voando com um de seus reversos inoperantes consta do manual da Airbus e é referendado pelas autoridades aeronáuticas brasileiras. Toda aeronave possui ummanual feito pelo fabricante no qual consta os itens chamados no go, ou seja, cujo mau funcionamento é motivo para impedir o vôo. Uma falha no reverso da aeronave não estava entre os itens considerados pelo fabricante como motivo para manter o avião no solo.O item ''''lista de equipamentos mínimos'''' do manual técnico do Airbus A320 indica que ''''um ou ambos (os reversores) podem estar inoperantes''''. Em outro trecho, o documento determina que ''''numa pista contaminada, é necessário prever mais 55 metros de pista'''' para conseguir pousar com um reverso inoperante. A própria TAM admite que o termo ''''contaminada'''' se refere a uma situação de chuva forte, o que, na visão dos executivos da empresa, não ocorria no Aeroporto de Congonhas no dia do acidente.''''Esse problema só apareceria no caso de uma arremetida'''', afirmou Roberto Peterka, especialista em segurança de vôo. É justamente numa arremetida que o funcionamento de um reverso enquanto o outro estivesse parado poderia fazer com que um dos motores ganhasse potência antes de outro. No caso do avião da TAM, era o reverso da turbina direita que estava inoperante - ''''pinado'''', no jargão dos pilotos. Portanto, ela pode ter ganho potência antes do motor esquerdo, que teve de esperar o fechamento do reverso. Isso pode ter causado um desequilíbrio e feito o avião virar para a esquerda, sair da pista e se chocar com o prédio da TAM Express.Para o oficial da reserva Luiz Alberto Bohrer, especialista em segurança de vôo, a decisão de permitir o uso do Airbus com reverso pinado ''''não é arbitrária'''' e está baseada em laudos técnicos. Outro brigadeiro da reserva, Renato Cláudio Costa Pereira, ex-secretário-geral da ICAO (Associação Internacional da Aviação Civil), o pino que trava a abertura do reverso da turbina não é um item proibitivo. O avião da TAM enfrentava ainda uma pista escorregadia, pois chovia no início da noite daquela terça-feira. ''''Até tocar o solo, ele veio normal. Mas quando bateu no chão molhado e sentiu que a situação não estava boa, o piloto decidiu arremeter o avião, pois não pararia só com um reverso em funcionamento. São decisões tomadas em frações'''', explicou o brigadeiro.

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