Para especialistas, tucano demonstrou segurança

A estratégia de alianças entre os opositores da gestão tucana para atacar Geraldo Alckmin ficou muito clara, mas o ex-governador se saiu bem ao defender seu trabalho. Esta é a avaliação dos cientistas políticos ouvidos pelo Estado ao fim do debate.

Flávia Tavares, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Para Roseli Coelho, professora de teoria política da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, embora tenha conseguido rebater as críticas de Aloizio Mercadante, Celso Russomanno, Paulo Skaf e Paulo Bufalo, ele poderia ter evitado o desgaste e faltado ao encontro. "Talvez ele não tenha tido essa opção por precisar defender a posição do PSDB no Estado", analisa Roseli. "Mas ele tentou manter distância de José Serra. Mercadante, por sua vez, evocou Lula e Dilma várias vezes."

Já José Alvaro Moisés, diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, acredita que, pela tranquilidade e segurança que demonstrou na reação aos ataques, Alckmin saiu ganhando em comparecer. "Ele deixou algumas perguntas sem resposta, mas, a todas que respondeu, se saiu bem." Moisés critica o desempenho de Aloizio Mercadante, que estaria acima do tom, "beirando o desagradável", em suas críticas a Alckmin. "Ele estava cumprindo seu papel, claro, mas exagerou no tom."

Celso Russomanno, por sua vez, trouxe um registro novo ao debate ao enfatizar sua preocupação com os serviços públicos, na opinião da professora Roseli Coelho. "Além disso, foi corajoso a defender Paulo Maluf, um aliado complicado." Moisés acrescenta que o enfoque que Russomanno deu à segurança pública, defendendo melhores salários para delegados, tem grande apelo e pode contar pontos.

O professor também elogiou as falas de Paulo Skaf sobre educação, afirmando que o candidato "apresentou alternativas e deu boa contribuição".

Roseli acrescentou ainda que a estratégia de "perguntas e respostas cúmplices", em que um candidato pergunta ao outro para falar dos próprios projetos ou atacar alguém, resulta numa "sobreposição de argumentos e exemplos". "Isso pode confundir o eleitor, que fica com muitos dados e sem respostas."

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