Para experts, Ribeirão Preto não pode ter aeroporto internacional de cargas

Ampliar e transformar o Aeroporto Leite Lopes, de Ribeirão Preto, em internacional de cargas não é uma solução tão rápida - é quase inviável. Políticos e promotores travam uma batalha judicial desde 2000, quando surgiram os primeiros projetos. Houve licitação em 2003 e a empresa Terminais Aduaneiros do Brasil (Tead) venceu, mas nenhuma obra começou porque a Promotoria do Meio Ambiente, preocupada com a poluição sonora e o risco de acidentes na região do aeroporto, rodeado por bairros residenciais, conseguiu emperrar o processo. A ampliação do terminal é estimada em R$ 218 milhões.O engenheiro José Augusto Monteiro de Barros, pós-graduado em projetos de aeroportos pela Universidade de São Paulo (USP), considera muito difícil adaptar o aeroporto. ''''Para descer um avião de carga aqui é preciso uns 4 mil metros de pista. Com a ampliação, ele teria, no máximo, 3 mil metros.'''' A pista tem atualmente apenas 2.100 metros.Para o consultor em logística e infra-estrutura de transporte de carga, Cristiano Cecatto, transferir operações de cargueiros para Ribeirão Preto seria ''''no mínimo, esdrúxulo''''. O aeroporto do interior paulista seria útil para as empresas do setor se servisse de ''''ponto de apoio'''', levando as cargas daquela região para os aeroportos de Viracopos , Cumbica ou Congonhas.''''Tirar os slots das empresas de cargas aéreas em Viracopos e levar para Ribeirão Preto seria inviável, ninguém toparia isso'''', diz. ''''O modal aéreo precisa ser rápido para dar dinheiro. Se você tem que desembarcar lá longe, perde todo o sentido. O único uso do aeroporto de Ribeirão seria embarcar as mercadorias do interior paulista para Viracopos ou para os aeroportos de São Paulo, de onde essa carga seguiria viagem. Hoje, esse trajeto é feito de caminhão, o que atrasa as entregas'''', afirma Cecatto.Sozinho, o terminal de cargas de Viracopos fatura algo em torno de R$ 200 milhões por ano. ''''Juntos, os terminais de cargas de São Paulo devem movimentar um montante de R$ 400 milhões anualmente'''', diz o consultor. ''''Mas duvido que todo esse negócio passe para Ribeirão Preto.''''

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