JB Neto/AE
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Para FHC, Dilma não é responsável por crise

Em festa pelos seus 80 anos, ex-presidente diz que é preciso ''esperar que as coisas aconteçam'' e que ficava irritado quando julgavam suas intenções

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2011 | 00h00

No evento de comemoração de seus 80 anos, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem que a presidente Dilma Rousseff não é responsável pela crise que resultou na demissão do ex-ministro Casa Civil Antonio Palocci. "Seria melhor não ter perdido (o ministro), mas a presidente não é responsável por isso", afirmou.

Questionado sobre a escolha da senadora Ideli Salvatti (PT) para Secretaria Especial das Relações Institucionais, FHC disse não conhecê-la o suficiente. "É cedo para julgar. Eu fui presidente e sei como é isso. A gente tem de esperar que as coisas aconteçam. Eu ficava muito irritado quando julgavam as minhas intenções, o que pretendia fazer. Vamos esperar um pouco."

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que foi titular da pasta da Justiça no governo de Fernando Henrique, foi emissário de uma carta da presidente Dilma Rousseff ao tucano ontem. O teor não foi revelado.

O ex-presidente também criticou a manutenção do ex-ativista italiano Cesare Battisti no Brasil e disse que o principal desafio das instituições tradicionais é fazer com que a sociedade volte a se entusiasmar com a política.

"Temos eleições, voto, mas a gente precisa mais do que isso", afirmou, ao analisar as relações da sociedade com os políticos. "Hoje, sobretudo a juventude, ela se comunica diretamente, salta instituições, mas as instituições são necessárias."

Bandeira. Defensor da descriminalização da maconha, Fernando Henrique disse que não está preocupado com a falta de apoio público de seu partido à bandeira que tem levantado. "Não é uma questão partidária. Acho até bom que isso não seja discutido pelos partidos, mas pela sociedade", disse.

As declarações foram dadas pouco antes do jantar em que o tucano foi homenageado por cerca de 500 convidados, na Sala São Paulo, sede da orquestra sinfônica do Estado.

Cercado de ex-ministros e correligionários de longa data, ele comemorou o fato de estar junto de "amigos há mais de 60 anos".

Dois dos principais líderes do PSDB, o ex-governador paulista José Serra e o senador mineiro Aécio Neves (MG), prestigiaram o evento. O governador paulista Geraldo Alckmin não pôde comparecer por causa de uma viagem ao México.

Peso. Além de políticos, artistas e ex-colaboradores de governo, os maiores expoentes do empresariado brasileiro estiveram presentes ontem no jantar em homenagem a Fernando Henrique, como José Safra, José Cutrale, José Paulo Lemann, Marcelo Odebrech, entre outros. / COLABOROU SONIA RACYN

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