Wilton Júnior/AE
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Para FHC, é impossível existir um mundo sem drogas

Políticas de repressão às drogas devem ser repensadas, dizem especialistas em encontro no Rio

Agência Brasil,

21 Agosto 2009 | 16h16

"Acreditar num mundo sem drogas é imaginar que possa existir um mundo sem sexo", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nesta sexta-feira, 21. FHC participou da primeira reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia (CBDD), na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Durante o encontro, especialistas nacionais e internacionais e autoridades chegaram ao consenso de que enfrentar o problema do tráfico e do consumo de drogas apenas com armas e punição é uma guerra perdida.

 

"Vamos quebrar o tabu. O uso da camisinha já foi tabu e hoje defendemos o sexo seguro. Agora, devemos procurar reduzir os danos que as drogas causam na sociedade e, para isso, é necessário conscientizar a população e dar suporte aos tóxico-dependentes", disse o ex-presidente.

 

FHC, que esteve à frente da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, abriu a reunião e defendeu que a questão das drogas deve ser enfrentada como um problema de saúde pública, e não somente como caso de polícia. Para ele, os usuários deveriam ser tratados no Sistema Único de Saúde (SUS).

 

O ex-presidente lembrou que o controle territorial por parte de traficantes se tornou um problema grave no Brasil e não deve ser combatido. "Mas a educação e a mudança de mentalidade são fortes estratégias de prevenção do consumo de drogas", disse Fernando Henrique.

 

A pesquisadora Celia Morgan, da Beckley Foundation e Fellow da European College of Neuropsychopharmacology, apresentou um estudo que aponta que drogas lícitas, como o álcool, são muito mais nocivas ao cérebro que algumas drogas proibidas como a maconha. "Esses dados ajudam na reflexão sobre os parâmetros usados para se classificar quais drogas devem ou não ser legalizadas e reconsiderar que há drogas proibidas menos prejudiciais que outras encontradas em farmácias, por exemplo".

 

Para o economista Peter Reuter, professor do Departamento de Criminologia da Universidade de Maryland, a legalização de drogas como maconha e cocaína, por exemplo, diminuiria a criminalidade, mas aumentaria o consumo e o vício. "Seria uma medida positiva para os mais pobres que sofrem diretamente com a questão da droga, pois haveria redução da violência. Ao mesmo tempo, seria negativa para a classe média, devido ao aumento do consumo".

 

Embora ele não defenda a legalização, Reuter acredita que é necessário criar estratégias radicalmente diferentes das que existem hoje.

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