Para Fifa, titular do Esporte é 'pedra no sapato'

PC do B avisa o PT: se Orlando cair, Agnelo vai junto

O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2011 | 03h04

A decisão de Dilma Rousseff de assumir o comando da Copa chegou como um alívio na Fifa, em Zurique. Mas a entidade alerta que só tirar Orlando Silva do processo não vai resolver e pede pressa em qualquer nova iniciativa tomada pela presidente. Na Fifa, o ministro era visto como uma "pedra no sapato". Segundo fontes em Zurique, Orlando Silva estaria "politizando" a organização do evento. Amanhã, a Fifa anuncia o calendário dos jogos da Copa de 2014, mas resta ainda definir toda a parte comercial, responsável por 80% dos lucros da Fifa no evento. / JAMIL CHADE

Bastidores: Vera Rosa e João Domingos

A cúpula do PC do B fez chegar ao Palácio do Planalto o seguinte aviso, em tom de ameaça: se Orlando Silva cair, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), será levado de roldão. Antigo partido de Agnelo, o PC do B não se conforma de pagar sozinho a cara fatura que pode resultar na perda do Ministério do Esporte, justamente agora que a pasta passou de patinho feio a vitrine, por causa da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Preocupados com o agravamento da crise, dois ministros filiados ao PT conversaram com Orlando e pediram a ele que não esticasse a corda com Agnelo. Ao menos ontem, o apelo foi atendido: no depoimento à Câmara, o titular do Esporte não disse uma palavra que desse margem a interpretações negativas sobre a conduta do antecessor.

Na segunda-feira, ao se defender das denúncias, Orlando usou uma frase que deixou o governo apreensivo. Ao afirmar que Agnelo agira de "boa-fé" ao pedir para ele, então secretário executivo do Esporte, receber o policial João Dias Ferreira - hoje seu acusador -, o ministro lançou no ar uma suspeita. "Não quero crer que o governador de Brasília de hoje tivesse qualquer informação sobre a conduta dessa pessoa (João Dias)que fosse desabonadora", insistiu Orlando.

Furioso com o ex-comunista Agnelo, o PC do B avalia agora que o PT trabalha para derrubar Orlando, em sintonia com o PMDB, de olho no orçamento do ministério da Copa. Não é segredo, porém, que Dilma já não queria manter o titular do Esporte quando montou a equipe, mas o PC do B cerrou fileiras em torno dele. Além disso, Orlando contou com um importante avalista: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquela ocasião, Dilma chegou a confidenciar que gostaria de chamar para a vaga a ex-prefeita de Olinda e hoje deputada Luciana Santos (PC do B-PE). Por conveniências políticas, ela não pôde realizar seu desejo.

Agora, ninguém sabe se Orlando resistirá até a reforma ministerial, prevista para janeiro de 2012. Nem se Luciana ainda está na mira de Dilma.

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