Para Forças Armadas, intervenção em Bangu é "absurda"

As Forças Armadas consideram ?absurda?, ?inconstitucional?e ?inconcebível? a proposta do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que defendeu a intervenção das tropas federais no Complexo Penitenciário de Bangu, em conseqüência dos problemas detectados no presídio, de onde o traficante Fernandinho Beira-Mar comanda a venda de drogas e determina a execução de inimigos pelo telefone celular. Os militares ressaltam que o controle de presídios é da alçada dos estados e não há motivos para se empregar tropas federais neste tipo de missão. Os militares rejeitam até mesmo a possibilidade de emprego das Forças Armadas no combate ao tráfico de drogas. Os oficiais salientam que Exército, Marinha e Aeronáutica podem apenas apoiar os estados, em ações de logística e de inteligência, e não combater diretamente o crime organizado, que é uma ação das Polícias Militares estaduais.Quanto à situação do estado do Rio, os militares ficaram assustados com o que viram pela televisão nos últimos dias. Para alguns oficiais consultados, isto mostra o caos e que o descontrole sobre as penitenciárias é total. Para os militares só haverá reversão dessa situação caótica se for instalada uma estrutura disciplinar rígida nos presídios, com uma verificação da idoneidade das pessoas que ali trabalham e ali vão trabalhar. Isto implica também, salientam, em pagamento de melhores salários, para que as pessoas não se sintam tentadas a cederem à corrupção. Só a criação de uma efetiva estrutura profissional nos presídios, com uma limpeza da área, poderá reverter esta situação.

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