Para Gabeira, até site que prega ódio deve ser livre

O ex-deputado e jornalista Fernando Gabeira afirmou que os blogs ligados a grandes jornais e publicações têm mais credibilidade, porque se preocupam em apurar a informação e ouvir o outro lado. "Um terço dos gastos das empresas vem da apuração. São elas que se preocupam em pôr alguém do lado de dentro do muro da fortaleza do Muamar Kadafi", disse o jornalista, durante a 6.ª Conferência sobre Liberdade de Imprensa, na Câmara.

João Domingos, O Estado de S.Paulo

24 Agosto 2011 | 00h00

Gabeira defendeu ainda a manutenção de todos os sites existentes, até dos que pregam a disseminação do ódio e das ofensas porque, segundo ele, não cabe ao Estado interferir na liberdade de expressão, mesmo que o conteúdo possa ser motivo de questionamentos. As maiores vítimas desses espaços de ódio na internet são os judeus, migrantes e homossexuais, disse Gabeira. Ele citou estudo da Fundação Simon Wiesenthal, que identificou 31 mil sites de ódio no mundo.

Quanto à censura, Gabeira contou que durante o governo de José Sarney (1985-1990) o então ministro da Justiça, Fernando Lyra, o informou de que teria de censurar o filme Je Vous Salue Marie, do francês Jean Luc Godard. "O Fernando Lyra me disse que Sarney determinou a censura ao filme por ordem da mãe, dona Kiola." De acordo com Gabeira, Lyra relatou a conversa de Sarney: "Se não censurarmos o filme, minha mãe disse que não me deixa mais entrar em casa."

A assessoria de Sarney informou que a censura ocorreu por outro motivo. Segundo a assessoria, pressionado pela Igreja e com a justificativa de ser católico, Sarney viu-se sem alternativa. O filme retrata a vida de Nossa Senhora nos tempos atuais. Ela é uma frentista de posto de gasolina.

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