Para Gabeira, parlamentar 'perdeu o tom'

O jornalista e blogueiro do estadão.com.br Fernando Gabeira defendeu ontem um "trabalho pedagógico" para o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Para Gabeira, que foi deputado federal entre 1994 e 2010, um trabalho pedagógico com Bolsonaro pode ser mais eficaz "do que realmente puni-lo com perda de mandato".

Jair Stangler / ESTADÃO.COM.BR, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2011 | 00h00

"Acho que, dessa vez, ele perdeu completamente o tom e realmente fez uma declaração racista", disse Gabeira. "Ele agora procura mostrar que não era bem o que ele queria dizer. Porque ele foi surpreendido, segundo ele, com a imagem da Preta Gil. E achou que a Preta Gil ia perguntar se o filho dele casaria com gay, não com uma negra. Mas ele escapa de um preconceito para o outro. Na verdade, ele continua preconceituoso."

O jornalista, que atuou na luta contra a ditadura, contou que Bolsonaro sempre pedia a sua prisão quando chegou à Câmara. "Até que um dia eu falei: "Ô Bolsonaro, se você vai pedir a minha prisão, me avisa antes para eu poder escapar, porque eles podem levar a sério". Ele nunca mais pediu a minha prisão", lembrou. E completou: "Mas ele continua falando coisas que são muito desagradáveis".

Gabeira também vê no episódio uma oportunidade para se discutir a liberdade de expressão e a imunidade parlamentar. "As declarações são consideradas quase que sagradas quando se trata de um deputado. O deputado tem imunidade parlamentar", destacou. "Nesse caso específico, o que ele falou infringe a lei. Evidentemente que você pode dizer o que quiser, mas você não pode falar alguma coisa que a lei proíba. Na verdade, essa história do Bolsonaro pode suscitar um bom debate sobre liberdade de expressão."

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