Para ''ganhar a vida'', Serra diz que voltará a dar aulas e palestras

Ex-governador se esquiva de falar sobre futuro político e, alegando não ter rendas, afirma que vai trabalhar

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

Assim que Geraldo Alckmin terminou de lhe dirigir elogios em discurso, o ex-governador José Serra levantou-se para agradecer à plateia que o ovacionava no Palácio dos Bandeirantes. O gesto de Serra foi estimulado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que estava sentado a seu lado.

Ao fim da solenidade, já no palco das autoridades, onde cumprimentava o novo secretariado, Serra disse ter ficado "emocionado" com as palavras do sucessor. "Terminamos um governo muito realizados, com São Paulo em ordem. E tenho certeza de que o governador Alckmin vai dar um impulso ainda maior", afirmou o ex-governador.

Segundo ele, a relação entre Alckmin e a presidente Dilma Rousseff deve seguir "o que a população espera". "Você pode fazer pesquisa, você pode perguntar para as pessoas. O que eles querem é cooperação. Governo federal, governo estadual e prefeituras. Isso é sempre assim, e nós governamos assim em São Paulo", anotou.

Futuro. Indagado sobre seu futuro político e o do PSDB, no entanto, Serra preferiu esquivar-se. "Vou trabalhar para ganhar a vida, fazendo o que eu sei fazer que é dar aulas, palestras e escrever", disse o tucano. "Eu não tenho rendas."

Serra confirmou, no entanto, que pretende se manter ativo no campo político. "Em atividade política eu sempre estive, estou e vou continuar", observou.

Quando o assunto chegou à tese de "refundação" do PSDB, defendida pelo ex-governador de Minas e senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG), sob argumento de que é preciso superar as últimas derrotas nas urnas, Serra foi sucinto. "Isso é um assunto para outra hora", disse.

Em seguida, o ex-governador voltou a cumprimentar ex-colegas de governo no auditório onde foi realizada a cerimônia. Falou sobre futebol e reviu amigos na plateia. Deixou o Palácio dos Bandeirantes por volta das 15 horas e, mesmo sob insistência, preferiu não falar sobre política.

Também homenageado no discurso de Alckmin, e anunciado com pompa pelo mestre de cerimônias da festa tucana, Fernando Henrique Cardoso foi embora sem dar entrevistas.

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