Para governo baiano, chacinas são resultado de ação policial

Desde junho ocorreram quatro chacinas em Salvador; neste fim de semana oito foram mortos e 11 feridos

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2008 | 17h50

Um dia depois de um fim de semana trágico na capital baiana, que teve como saldo duas chacinas, com oito mortes, e outros 16 homicídios, o governo baiano alega que a disparada no número de assassinatos em Salvador é, em grande parte, causada pela ação policial.   O trabalho de inteligência que a polícia vem desenvolvendo, que resultou na retirada de circulação de bandidos considerados de alta periculosidade, contribuiu para acirrar os duelos por pontos de venda de narcóticos", justificou nesta segunda-feira, 21, o secretário de Segurança Pública, César Nunes.   De acordo com ele, a morte de um dos líderes do tráfico na Bahia, Éberson Souza Santos, o Pitty, em agosto do ano passado, e a transferência de seu maior rival, Genilson Lino da Silva, o Perna, que comandava o comércio de entorpecentes de dentro da Penitenciária Lemos Brito, para a Penitenciária Federal de Catanduvas (PR), no último mês, deflagrou "uma guerra entre traficantes de segundo e terceiro escalões" na cidade. "Vamos desarticular esses novos grupos seguindo o trabalho de inteligência policial", promete.   As declarações foram dadas durante um evento nesta manhã no qual o governador, Jaques Wagner (PT), apresentou o novo modelo dos carros e motos policiais no Estado e entregou 201 veículos - 110 automóveis, 23 peruas, 18 caminhonetes e 50 motocicletas - às Polícias Civil e Militar.   s automóveis das duas corporações são padronizados nas cores azul, prata e branco, o que, para Wagner, simboliza o início da integração entre as polícias. "Vamos entregar mais 41 viaturas ainda este ano", promete o governador. "A segurança pública é prioridade. Estamos trabalhando para reequipar as polícias e compensar as perdas de profissionais e de equipamentos que ocorreram nos últimos 12 anos e que não foram repostos."   Além de entregar os veículos, Wagner anunciou a incorporação de 3,2 mil novos PMs, a nomeação de 161 novos agentes e escrivães da Polícia Civil e a realização de um novo concurso público para aumentar o efetivo - sem data definida. O contingente anunciado começa a trabalhar em outubro.   Chacinas   Em menos de 24 horas, entre as noites de sábado e de domingo, duas chacinas, uma no periférico Bairro da Paz e uma no Engenho Velho da Federação, bairro de classe média, deixaram oito mortos - nenhuma com antecedentes criminais - e 11 feridos, um em estado grave. Para a polícia, são ações com o objetivo de dominar o comércio de entorpecentes nos locais.   No ataque de sábado, no Bairro da Paz, entre oito e dez homens, em dois carros, armados com pistolas e metralhadoras, abriram fogo contra um grupo de pessoas que estava na Travessa Ubatã. Três homens - o barbeiro Henrique Sampaio Souza, de 23 anos, o doceiro Edmilson Desterro de Oliveira, de 20, e o estudante Diego Wellington de Assis, de 18 - e um adolescente de 15 anos morreram no local. Outras três pessoas ficaram feridas, mas não correm risco de morte.   A delegada que investiga o caso, Francineide Moura, afirma que as investigações ainda estão no início, mas não descarta que os atiradores pertençam ao mesmo grupo que, no dia 6, promoveu um tiroteio no bairro do Garcia, perto do centro da capital baiana. Na ocasião, um homem foi morto e outros seis ficaram feridos.   As vítimas da chacina foram enterradas nesta manhã. Durante a tarde, moradores do Bairro da Paz promoveram uma manifestação na Avenida Paralela, que liga a rodoviária ao aeroporto e atravessa o bairro, para cobrar mais segurança na região. As faixas de rolamento foram bloqueadas, nos dois sentidos, por pneus e tábuas de madeira, causando grande congestionamento na via.   Já por volta das 20 horas de domingo, outras quatro pessoas foram executadas e oito ficaram feridas depois que três atiradores, a bordo de um táxi, atiraram, com metralhadoras, pistolas e escopetas, contra um grupo que se concentrava na Rua Apolinário Santana - tradicional ponto de encontro de amigos nos fins de semana no bairro. Entre os feridos, um, baleado na cabeça, foi internado em estado grave, no Hospital Geral do Estado.   Segundo a delegada Maria Dahil, à frente do caso, ainda não se pode precisar o motivo do ataque, mas já existe um suspeito de mandante. "É um homicida condenado, conhecido como Eduardinho", diz a delegada. "Ele já esteve preso, mas conseguiu fugir e está foragido."   Com os dois ataques do fim de semana, chega a quatro o número de chacinas em Salvador desde 7 de junho, quando sete pessoas - nenhuma delas com antecedentes criminais - foram executadas no bairro periférico de Mussurunga. No total, os crimes deixaram 19 mortos.

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