Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Para ir aos pés do Cristo Redentor, só pela escadaria

Elevadores e escadas rolantes estão parados, o que dificulta acesso de cadeirantes e idosos

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2019 | 03h00

RIO - Elevadores e escadas rolantes que dão acesso à estátua do Cristo Redentor, um dos símbolos do Rio de Janeiro, estão parados desde o forte temporal que atingiu a cidade nos dias 8 e 9 de abril, deixando dez mortos. Para chegar ao monumento, os visitantes precisam subir uma escada de 220 degraus, o que tem dificultado o passeio para os mais idosos e os que apresentam problemas de mobilidade.

“Eu não vi o alerta nem ninguém me avisou desse problema”, contou a turista uruguaia Belga Perez, de 79 anos, que visitava a estátua pela quarta vez e esperava usar o elevador. “Foi difícil subir a escadaria, chegou a me dar um pouco de taquicardia.” Belga veio ao Rio acompanhada da filha, Adriana Perez, de 55 anos: “Ninguém sabia explicar direito e ninguém fala espanhol”, reclamou a filha.

A chilena Gladys Vásquez, de 54 anos, visitava o Cristo Redentor pela segunda vez, com o marido, Alfonso Valdez, de 58. Ela também reclamou da falta de elevadores e escadas rolantes. “Da outra vez que vim foi bem mais fácil”, disse. “Desta vez, cheguei aqui em cima muito esgotada.”

De acordo com o Parque Nacional da Tijuca, responsável pelo acesso ao monumento, as escadas e os elevadores foram desligados por precaução. O temporal pode ter causado algum problema nas instalações elétricas, e a administração aguarda um laudo técnico de vistoria para liberar o seu uso. O problema é que a interdição já se estende por mais de um mês e não há previsão de retorno.

O acesso ao alto do Morro do Corcovado é feito pelo trem turístico, que sobe pela Estrada de Ferro Corcovado, ou de carro, pela Estrada das Paineiras. Mas tanto o trem quanto o automóvel só chegam a um determinado ponto do caminho. De lá em diante, até os pés da estátua, o acesso é feito somente pela escada convencional, escada rolante ou elevadores - os dois últimos instalados em 2003.

Um pequeno cartaz afixado na bilheteria da estação do trem, no bairro do Cosme Velho, na zona sul, alerta para o problema. O alerta se repete também na página oficial Trem do Corcovado. O ingresso custa R$ 65 e dá direito ao traslado e à entrada no monumento. Não há nenhuma redução do preço por paralisação das escadas rolantes e dos elevadores.

O Cristo Redentor, inaugurado em 1931, é considerado a mais importante atração turística do Rio. Recebe cerca de 3 milhões de visitantes por ano. O monumento tem o título de uma das sete maravilhas do mundo moderno.

A holandesa Grace Kassing escolheu o Cristo Redentor para comemorar o seu aniversário de 27 anos. Jovem e magra, ela não teve dificuldades para subir os 220 degraus. “Enquanto subia, fiquei pensando em como as pessoas em cadeira de rodas poderiam chegar aqui”, afirmou. “Mas, no meu caso, acho que valeu o esforço; é tudo lindo demais.”

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