Para Jobim, situação em PE só se compara com terremoto no Haiti

Ministro sobrevoou cidades arrasadas pelas chuvas; 'Houve uma precipitação de água inacreditável'

estadão.com.br

23 de junho de 2010 | 14h38

Em União dos Palmares, Alagoas, cenário lembra guerra. Foto: Edmar Melo/AE

 

RECIFE - Depois de sobrevoar municípios de Pernambuco arrasados pela chuva, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira, 23, que só viu situação semelhante no Haiti, devastado por um terremoto em janeiro deste ano. Segundo o ministro, será necessário coordenar as estratégias para evitar problemas posteriores, como a má distribuição de donativos e o atraso das obras de reconstrução.

 

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"Houve uma precipitação de água inacreditável em termos de derrubada de pontes, casas, principalmente perto do rio. Temos de intensificar as ações e supervisioná-las. O que temos de fazer neste momento é trabalhar na administração da solidariedade", afirmou.

 

O número total de vítimas em Alagoas e Pernambuco chegou a 44. Na noite desta terça-feira, mais três corpos foram encontrados em Pernambuco, elevando para 15 o número de óbitos no Estado, segundo a Defesa Civil. Em Alagoas, os números permanecem os mesmos, com 177.282 afetados, 15 municípios em calamidade pública, 29 mortos e 607 desaparecidos.

 

Hoje, o ministro e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sobrevoaram vários municípios do Estado. Eles estiveram nos dois mais atingidos, Palmares e Barreiros, para observar os estragos provocados. Seis cidades alagoanas foram sobrevoadas na terça por Jobim, pelo governador do estado, Teotônio Vilela Filho, e pela ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes.

 

A chuva destruiu áreas inteiras e deixou milhares de desabrigados. O governo federal estabeleceu um plano de metas para ajudar no suporte às vítimas e na reconstrução das cidades. De acordo com Jobim, a prioridade no momento é o atendimento à população. Para isso, o Ministério da Defesa e o Exército montaram um esquema de logística.

 

"Primeiro, devemos rastrear os locais indicados para localizar os desaparecidos. O próximo passo é a remoção das pessoas isoladas. Para isso, devem ser preparadas habitações provisórias, como espaços coletivos e barracas, com distribuição de alimentos de consumo imediato", disse Jobim.

 

Cerca de mil militares já estão trabalhando em Pernambuco e, pouco mais de 300, em Alagoas. "Vamos colocar à disposição toda a estrutura de logística e de trabalho das Forças Armadas. O problema não é a quantidade [de militares], mas ter uma grande estrutura de coordenação nos níveis estaduais, municipais e federal", afirmou o ministro.

 

Além do amparo à população, as Forças Armadas auxiliam na reconstrução da infraestrutura das cidades. Duas pontes portáteis já foram enviadas, uma de 60 metros para Alagoas e outra de 30 metros para Pernambuco.

 

De acordo com o major-brigadeiro Hélio Paes de Barros Júnior, um hospital de campanha do Exército chegou ontem a Recife e foi instalado no município de Barreiros, um dos mais afetados. "O hospital começou a funcionar hoje com uma perspectiva de 400 atendimentos diários e nós esperamos que a população da região seja mais bem atendida. Contamos com 40 profissionais de saúde", disse.

 

Na terça, o governo federal liberou R$ 100 milhões para Alagoas e Pernambuco. Metade desse valor já foi encaminhada aos estados para os primeiros atendimentos à população. O resto será enviado quando a Casa Civil receber o relatório com os estragos.

 

(Com reportagem da Agência Brasil e Agência Estado)

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