Para Lembo, falta Requião em reunião de governadores

O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (PFL) afirmou ser um erro a não convocação de Roberto Requião, governador do Paraná, para o primeiro encontro do gabinete integrado de segurança dos Estados do Sudeste, nesta terça-feira, no Rio. ´Apesar do Requião ser da Região Sul, ele está num ponto estratégico, que faz fronteira com São Paulo e Paraguai. Para se discutir segurança na região é preciso ter a participação do Paraná´, afirmou Lembo.O antecessor de José Serra (PSDB) no Palácio dos Bandeirantes também defendeu na segunda-feira a ampliação do efetivo da Polícia Federal em São Paulo, reivindicação reforçada agora pelo tucano. ´A Polícia Federal usa a Polícia Militar para escoltar os presos federais que vão para audiências e em transferências. Isso provoca gastos para o Estado´, disse, afirmando que o aumento no efetivo federal é um pedido antigo, do ex-secretário de Segurança Saulo Abreu. De acordo com Lembo, a PF tem hoje em São Paulo 6 mil agentes. ´É muito pouco.´ O diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, disse que São Paulo e Rio terão mais 1.500 agentes até dezembro.Durante a reunião dos governadores na tarde desta terça, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, vai alertar secretários dos outros Estados do Sudeste para a possível reação dos criminosos ao bloqueio das divisas pela Força Nacional. ´Eles poderão sofrer conseqüências. Mas tenho falado com os secretários, estamos afinados´, disse Beltrame, que conversou ontem duas vezes com seu colega paulista, Ronaldo Marzagão. Para minimizar efeitos para Estados vizinhos, ele quer que a Força Nacional fique atenta também ao movimento de veículos fora do Rio. Beltrame alertou ainda na segunda-feira para a possibilidade de que traficantes, com o fornecimento interrompido, passem a praticar outros crimes. Força Nacional de SegurançaA Força Nacional de Segurança começa a atuar na semana que vem no Rio em 19 pontos das divisas do Estado, onde serão montados bloqueios. Os agentes trabalharão em conjunto com as Polícias Civil, Militar e Rodoviária Federal, preferencialmente em rodovias. Segundo o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, os pontos foram selecionados a partir de informações da secretaria, das polícias e da Receita Federal, e apresentados ao governador Sérgio Cabral (PMDB). A lista inclui vigilância na divisa com São Paulo, onde existem vários corredores de tráfico de drogas e armas.Cabral solicitou ajuda à União para conter a onda de ataques de facções criminosas a ônibus, delegacias, carros e cabines da polícia, que deixou pelo menos 18 mortos e dezenas de feridos desde 27 de dezembro.O subsecretário de Planejamento e Integração da secretaria, Roberto Sá, apresentou na segunda-feira as diretrizes da operação batizada de Divisa Integrada. Um dos objetivos é combater o transporte de armas e entorpecentes, roubos de veículos e impedir a troca de informações entre as facções, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Segundo Sá, os bloqueios nas estradas serão acompanhados de trabalho de inteligência que identificará as estratégias utilizadas pelos criminosos para fugas. ´Essa operação deverá ser recebida na semana que vem. Como é um contingente grande e envolve uma série de instituições, o que pode retardar um pouco é a questão logística. Até quarta-feira (amanhã), vamos ter esse planejamento operacional´, disse o secretário. Nesta terça, ele faz uma reunião técnica com representantes das corporações e da Força Nacional.Os integrantes da Força que irão para o Rio começaram a chegar na segunda-feira em Brasília, vindos de várias partes do País. O Estado deve receber cerca de 500 homens nos próximos dois dias.Colaborou Alexandre Rodrigues

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