Para líderes, DEM é sigla sob risco de extinção

PSDB avalia que vai bem nos Estados e PSB se arma para não sumir no meio do PMDB e PT

Christiane Samarco e Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

Mesmo que haja fato novo na campanha, os líderes políticos têm diagnóstico semelhante sobre o quadro partidário ao final do pleito: a oposição vai minguar e o partido Democratas tende à extinção. Na base aliada, o País vai assistir à resistência do PSB para não ficar emparedado entre o PMDB e o PT.

"O partido que vai pagar o maior preço da eventual derrota do PSDB na eleição presidencial é o DEM. Se o (José) Serra for derrotado, nós sairemos aniquilados", prevê o deputado Alceni Guerra (DEM-PR), que admite de público que, sozinho, o DEM terá poucas chances de sobreviver a mais quatro anos de um eventual governo petista.

Nos bastidores do PSDB, a avaliação é mais otimista. Os tucanos acham que quem vai mal é o candidato Serra, e não o partido. A legenda pode sair das urnas com mais governadores do que os seis que elegeu quatro anos atrás. Tucanos são favoritos para governar Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Paraná, Pará, Amapá , Roraima e Rondônia, e têm candidato competitivo no Piauí.

O PMDB, no posto de candidato a vice-presidente, espera eleger as maiores bancadas da Câmara e do Senado. O PT também aposta que sairá grande das urnas e já tem simpatizantes para reagir à hegemonia do maior aliado no Congresso. De outra ponta, a cúpula peemedebista identifica a movimentação dos socialistas para minar a supremacia do partido na base do governo. O PMDB sabe que o PSB, tratado como força política "acessória" ao longo dos oito anos de governo Lula, agora quer ser um polo aglutinador.

PSB e Aécio. "O protagonismo político no futuro governo não deve ser exercido apenas pelo PT e PMDB", diz o senador Renato Casagrande (PSB), disparado na liderança da corrida para o governo do Espírito Santo. "É importante que Dilma, se eleita, prestigie partidos médios como o PSB para aumentar sua segurança política."

Secretário-geral do PSB, ele faz a pregação a favor de uma base governista "mais diversa e heterogênea", em nome da estabilidade política da nova administração.

Os socialistas estão intensificando o diálogo com o ex-governador de Minas Aécio Neves, que, por sua vez, desponta como liderança de peso no futuro Senado. Aécio transita com desenvoltura entre expoentes do PSB que rivalizam entre si, como o presidente da legenda e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Quando ainda tinha a pretensão de ser o candidato do PSDB a Presidência, Aécio teve o apoio público de Ciro Gomes.

Petistas também reconhecem no mineiro um perfil "light" de oposição que sempre dialogou com o PT no Estado e, por isso, pode ser ponte importante entre governo e oposição no Congresso. "Aécio é a linha da oposição que vem se fortalecendo. A linha da truculência não tem futuro e tende ao isolamento", diz o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que ensaia disputa com o PMDB pela presidência da Câmara no primeiro biênio do eventual governo Dilma.

Alguns petistas avaliam que a depender do fracasso eleitoral da oposição, o futuro governo poderá se dar ao luxo de dispensar pontes e adotar o velho método do trator sobre a minoria.

Seja como for, rebeldes da oposição que deram trabalho ao governo Lula prometem infernizar a vida de Dilma, caso ela seja eleita presidente. Diferentemente de Alceni, o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), não admite o risco de extinção nem a fusão com o PSDB. "Fusão de dois partidos que pensam diferente é ruim para a democracia", afirma. "E temos espaço na sociedade para colocar nossas ideias, como partido de centro-direita, no eixo oposto ao PT."

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