Para Lugo, um rico... Futuro

O presidente Lula vê na eleição de Fernando Lugo a oportunidade de conquistar a adesão do Paraguai a um conceito de parceria que o Brasil propõe ao vizinho há muitos anos, sem êxito. Trata-se de quebrar o padrão histórico que restringe praticamente ao combate ao tráfico e ao contrabando na fronteira a cooperação entre os dois países.

, O Estado de S.Paulo

02 de maio de 2010 | 00h00

A reavaliação das bases do acordo de Itaipu funcionaria como o início de um ciclo de prosperidade do Paraguai, a partir da energia da usina levada ao seu território pelo linhão de transmissão orçado em U$ 450 milhões, que o Brasil se dispõe a bancar. Além de retirar o país da crônica rotina de apagões, propiciaria a industrialização da qual se beneficiariam também empresas brasileiras.

Com mão de obra barata, energia per capita baixíssima e carga tributária na casa dos 10%, o Paraguai não tem como romper a estagnação. Seu maior investimento, em todos os tempos, é da ordem de U$ 100 milhões, empregados na construção de uma fábrica de cimento.

Um discurso de progresso, sustentado em ações concretas, na avaliação do presidente brasileiro revigora politicamente Lugo, que tem base congressual frágil e uma oposição que começa no seu vice-presidente.

Lula oferece o futuro, mas dirá amanhã a Lugo, em Ponta Porã, que é melhor do que insistir na revogação do refúgio aos ex-integrantes da guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP), que dificilmente sairá.

Refúgio mantido

Sem fato novo, não há revisão do refúgio concedido aos paraguaios do EPP pelo governo brasileiro. E se houvesse fato novo, comprovando ações de guerrilha do trio, já teria aparecido. Por enquanto, o Paraguai apresentou um dossiê com matérias de jornal acusando os três refugiados. Essa a resposta que Lula dará a Lugo, compensando-o com promessas de ajuda no desenvolvimento do país. O Ministério da Justiça concedeu o refúgio com base em versão, segundo a qual os três paraguaios são dissidentes de um movimento com o qual romperam quando houve a opção pela guerrilha.

Licitação em 2010

Como ano eleitoral não recomenda ações que dependam do Congresso Nacional, o presidente Lula renovará a Lugo a promessa de construção do linhão de transmissão de Itaipu até o Paraguai, através do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul (Focem) onde Lugo sacará dinheiro brasileiro. O governo estima que Lugo poderá fazer a licitação das obras até o final de 2010.

Serra no Ceará

Ao contrário de 2002, quando se opôs à sua candidatura, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), é agora um cabo eleitoral engajado na campanha de José Serra. "Pode ter certeza de que a premissa é eleger Serra, depois vem a questão regional. Vou percorrer todo o Ceará com ele." Tasso, que prepara a primeira visita de campanha de Serra ao Estado, será o palanque do candidato tucano com apoio do governador Cid Gomes (PSB), que tenta a reeleição. Ciro Gomes, também na aliança, não precisa pedir votos: basta que não fale de Serra, nem para o bem, nem para o mal.

Antaq na Berlinda

Está na mesa do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, uma denúncia de empresas portuárias contra o atual diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Tiago Pereira Lima. O libelo tem de assédio moral e sexual até nepotismo e desvio de verba.

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