Para Lula, "classe trabalhadora chegou ao poder para ficar"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na noite desta segunda-feira, 11, durante comício no Jardim Nova Esperança, na periferia de Goiânia, que é candidato à reeleição por causa do povo pobre. "Eu não sou produto das elites políticas do País. Sou produto das greves operárias de 1978, da convivência com os sem-teto e com os sem-terra", disse Lula, para uma platéia de cerca de 2 mil pessoas."A classe trabalhadora chegou ao poder no País e chegou para ficar, para mostrar que tem competência e tem mais experiência", avaliou o presidente, afirmando que são esses os motivos do suposto desespero de seus adversários. "Eles estão loucos, estão nervosos."De acordo com Lula, seus antecessores históricos que tiveram ligação forte com a população foram atacados pelas elites - o que, a seu ver, vem acontecendo igualmente com ele. "Obrigaram Getúlio Vargas, o presidente mais próximo do povo, a suicidar. Passaram o tempo todo espinafrando o presidente Juscelino Kubitschek e hoje todos reconhecem nele um grande estadista. Empurraram o regime parlamentarista no João Goulart. Tudo porque eram presidentes próximos do povo."Para uma platéia composta por gente simples, que vive num bairro surgido da invasão de uma fazenda realizada no final da década de 70, Lula disse ter rompido com a "submissão" ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao ter quitado a dívida do País com a instituição. "O Brasil queria fazer uma coisa, o FMI metia o dedo. O Brasil queria fazer outra, o FMI dizia não. Eu disse: ´Ô, FMI, toma aqui o seu dinheiro, vai cuidar de outro quintal´."Ele defendeu ainda sua política de comércio exterior. "Me atacaram porque eu viajei, eu viajei, eu viajei, eu viajei. Viajei porque antigamente, quando os Estados Unidos espirravam, nós pegávamos pneumonia. Agora, quando os Estados Unidos espirram, eu digo: saúde, muito obrigado, não precisamos do dinheiro de vocês". Lula disse que, ao contrário de quando assumiu a Presidência, o maior parceiro comercial do Brasil é a América Latina e não mais os Estados Unidos. "Precisamos de parceiros diferentes, não ser dependentes de um só país, porque se ele quebrar, nós quebramos juntos".Apesar das críticas às elites políticas, Lula acabou participando do ato de consolidação de uma delas. Antes de ir para o comício do PT com o PSB, na periferia de Goiânia, Lula teve um encontro com toda a cúpula do PMDB, mais o prefeito Íris Rezende e o candidato a governador Maguito Vilela. Pediu votos para Maguito, embora dali a pouco fosse se encontrar com Barbosa Neto (PSB), candidato ao governo de Goiás apoiado pelo PT.Lula aproveitou a cerimônia de apoio do PMDB à sua candidatura para atacar o PSDB de Marconi Perillo, adversário de Íris Rezende e de Maguito. Marconi conseguiu colar nele a imagem de Alcides Rodrigues (PP), que tem seu apoio para o governo de Goiás, e assim fazê-lo crescer muito nas pesquisas eleitorais. De acordo com a última, feita pelo Instituto Serpes e publicada pelo jornal O Popular, em Goiás deverá haver segundo turno entre Maguito e Alcides. O PMDB correu atrás da ajuda de Lula tentando melhorar seu desempenho ou, então, fazer com o PT apóie Maguito no segundo turno.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2006 | 23h43

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